Como Investir em Terras Raras em 2026: Ações, ETFs e Cenário Global

Investir Terras Raras

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Inteligência artificial, baterias de veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos militares dependem todos de um grupo de 17 elementos chamados terras raras. Apesar do nome, não são raros na crosta terrestre: o que é raro é o conjunto de mina, refino e produção de ímãs fora da China, que ainda concentra cerca de 70% da produção e mais de 90% do refino mundial.

Em 2026 a tese ganhou novos catalisadores: o Pentágono virou acionista da MP Materials, a brasileira Serra Verde foi comprada pela USA Rare Earth por US$ 2,8 bilhões e o ETF VanEck REMX acumulou mais de 100% desde 2024. Neste guia explicamos como investir em terras raras a partir do Brasil, com ETFs UCITS e ações estratégicas.

Pontos-chave

  • China detém ~70% da produção e ~90% do refino global.
  • VanEck REMX UCITS (IE0002PG6CA6): TER 0,59%.
  • Top ações: MP Materials, Lynas, Neo Performance.
  • Serra Verde adquirida pela USA Rare Earth em 2026.

Como investir em terras raras?

Se existe tanta preocupação pela escassez desses elementos, e ao mesmo tempo a China, que controla cerca de 70% da produção mundial e mais de 90% do refino global, pode fechar a torneira a qualquer momento, investir em empresas ou fundos dedicados à produção de terras raras passou a ser uma tese válida. As três principais vias são: ações listadas, ETFs especializados e corretoras com acesso a mercados internacionais.

Empresas de terras raras que estão na bolsa

Existem três empresas que se dedicam à extração e processamento de terras raras como atividade essencial de seu negócio com ações acessíveis a investidores brasileiros. A primeira é chinesa, a segunda é dos Estados Unidos, e a terceira australiana.

EmpresasISINTicker
China Northern Rare Earth Group600011.SHCNE000000T18
MP MaterialsMPUS5533681012
Lynas CorpLYC.AXAU000000LYC6

Vaneck Rare Earth and Strategic Metals UCITS ETF A

Se você busca exposição a um nicho tão particular como o de terras raras, mais do que fazer stock picking com empresas, uma ideia muito mais interessante pode ser investir em algum ETF que replique o desempenho do setor.

Apresentamos como alternativa o VanEck Rare Earth and Strategic Metals UCITS ETF (REMX) com ISIN IE0002PG6CA6, o único fundo negociado UCITS que segue o MVIS Global Rare Earth/Strategic Metals Index, composto pelas maiores e mais líquidas empresas do setor de terras raras e metais estratégicos.

Com um TER de 0,59% ao ano, este ETF se posiciona como uma opção competitiva em termos de custos dentro de um segmento tão especializado.

O ETF inclui as empresas mencionadas acima atribuindo-lhes uma ponderação de 17%. Os demais componentes, embora possam ter linhas de negócios relacionadas às terras raras, não têm isso como core de seus negócios.

Peso total das 10 principais holdings: 58,94%

PosiçãoEmpresaPeso (%)
1JE00BM9HZ1128,80%
2Albemarle Corp.7,28%
3Sociedad Química y Minera de Chile SA6,96%
4China Northern Rare Earth (Group) High-Tech Co., Ltd.6,52%
5Lynas Rare Earths5,91%
6Pilbara Minerals5,15%
7MP Materials4,84%
8Jinduicheng Molybdenum4,55%
9Xiamen Tungsten Co., Ltd.4,47%
10Ganfeng Lithium Group Co., Ltd.4,46%

Segue uma estratégia de réplica física, adquirindo diretamente todos os valores que compõem o índice, e os dividendos gerados pelas ações são reinvestidos no próprio fundo, permitindo que os investidores se beneficiem do crescimento composto a longo prazo.

Em termos de rentabilidade, após anos pressionado, o ETF acumulou +106% em 2025 impulsionado pela escalada geopolítica EUA-China e pelos subsídios americanos ao setor. Atenção: após essa forte valorização, o ETF negocia em múltiplos exigentes, o que torna o ponto de entrada mais importante do que no passado.

VanEck-rare-earth-and-strategic-metals-UCITS-rentabilidade

Top 5 ações do setor de terras raras para acompanhar

Diante da crescente importância das terras raras no cenário geopolítico e tecnológico global, listamos cinco empresas estratégicas para acompanhar. A seleção combina líderes internacionais e iniciativas relevantes no Brasil, oferecendo ao investidor uma visão prática de oportunidades e riscos neste setor altamente promissor.

👉 Terras raras: como montar uma carteira satélite

1. Lynas Rare Earths Limited (LYC.AX)

Lynas Rare Earths Limited

Lynas Rare Earths (LYC.AX), maior produtora fora da China, opera Mount Weld (Austrália) e a planta na Malásia com licença válida até 2026, o que mitiga risco regulatório no curto prazo. Os sinais operacionais melhoraram: produção +47% YoY no 2T25 e preço médio +42%, com as ações retomando máximas desde 2022. O setor foi amparado pelo acordo do DoD dos EUA com a MP Materials, que estabelece preço mínimo para NdPr, reforçando a reconstrução da cadeia fora da China.

Na estratégia, a Lynas avança para separar HRE (disprósio/térbio) na Malásia, constrói unidade de processamento nos EUA e avalia ativos no Brasil. Tese de investimento: produtora verticalizada com exposição a NdPr e HRE, vantagem geopolítica e apoio governamental, com riscos de volatilidade de preços, execução de projetos e dependência de permissões na Malásia.

Prós

  • Liderança fora da China: maior produtora não-chinesa, peça central na diversificação geopolítica do setor.
  • Expansão estratégica: novos projetos de terras raras pesadas e construção de planta nos EUA para atender mercados ocidentais.
  • Demanda em alta: foco em elementos chave com procura crescente por ímãs em EVs e turbinas.

Contras

  • Riscos regulatórios: operação dependente de licença na Malásia.
  • Volatilidade de preços: receitas sensíveis aos ciclos de preços de ETR.
  • Necessidade de investimento: planos de expansão exigem capital contínuo.

2. MP Materials Corp. (MP)

MP Materials Corp.

MP Materials (MP), operadora da mina Mountain Pass (Califórnia), está a migrar de exportadora de concentrado para player verticalizado. Em julho de 2025, o Departamento de Defesa dos EUA tornou-se o maior acionista com um aporte de US$ 400 milhões, o maior investimento de capital do Pentágono na história moderna, e instituiu um preço mínimo garantido de US$ 110/kg para NdPr, quase o dobro da referência chinesa, com contrato de compra de ímãs por 10 anos para defesa e uso comercial. Clientes âncora incluem Apple e GM.

Tese para investir: exposição a crescimento estrutural (VE/renováveis) com integração mina-a-ímã, contratos de longo prazo e apoio governamental direto que reduz risco de ciclo. Principais riscos: execução do ramp-up da planta de ímãs, dependência de políticas públicas e possíveis mudanças regulatórias.

Prós

  • Única produtora nos EUA: ativo estratégico (Mountain Pass) que torna a empresa peça central da política industrial americana.
  • Apoio governamental maciço: US$ 400 M do DoD + preço mínimo garantido de US$ 110/kg NdPr + contrato de compra de 10 anos.
  • Integração vertical em andamento: produção própria de óxidos NdPr e ímãs NdFeB, aumentando margens e diversificando receita.

Contras

  • Rampa e execução: desafio de entregar projetos de ímãs no prazo.
  • Dependência de políticas públicas: a tese depende da continuidade dos subsídios e do ambiente geopolítico favorável.
  • Concorrência de baixo custo: ímãs chineses dominam o mercado a preços menores; a MP depende do apelo "made in USA" e dos incentivos para competir.

3. American Rare Earths (ARRNF)

American Rare Earths

American Rare Earths (ARR/ARRNF) é uma junior pré-produtiva focada nos EUA, tendo como principal ativo Halleck Creek (Wyoming), um depósito de grande escala com 8,64 Mt de TREO em 2,64 bi t de recurso, dos quais ~26% são elementos magnéticos (Nd, Pr, Dy, Tb). O Scoping Study (fev/2025) apontou VPL (10%) de US$ 558 mi (base) e >US$ 1,1 bi (expandido). O projeto recebeu grant de US$ 7 mi de Wyoming e uma carta de interesse do Ex-Im Bank de até US$ 456 mi, com início de produção projetado para 2029.

4. Neo Performance Materials (NEO.TO)

Neo Performance Materials

Neo Performance Materials (TSX: NEO) é uma empresa de refino e fabricação de materiais de terras raras, posicionada no midstream (óxidos separados, ligas e ímãs). Opera a planta Silmet (Estônia), uma das poucas unidades de separação fora da Ásia, e está ampliando capacidade com uma fábrica de ímãs em Narva, visando montadoras ocidentais que aceitam prêmio por ímãs fora da China. Reportou EBITDA ajustado 2024 de US$ 64 mi (+73% a/a).

5. Serra Verde Group: atualização 2026

Serra Verde Group

⚠️ Atualização crítica (maio 2026): O Grupo Serra Verde foi adquirido pela americana USA Rare Earth por US$ 2,8 bilhões. O governo dos EUA participou diretamente via DFC (US$ 565 M) como parte do "Project Vault", iniciativa de US$ 12 bilhões de Washington para formar estoques estratégicos. A operação chegou ao STF brasileiro, onde partidos políticos tentaram suspendê-la sem sucesso. O governo Lula não se opôs formalmente à venda e desistiu da criação da Terrabras (estatal de terras raras), focando num Conselho de Minerais Críticos ligado à Presidência.

A Serra Verde encerrou antecipadamente seus contratos com clientes chineses para 2026, redirecionando toda a produção para EUA, Europa, Japão e Canadá. Meta: 6.500 t/ano de TREO até 2027, apoiada por financiamento total de US$ 465 M da DFC. A única operação fora da Ásia a produzir comercialmente Nd, Pr, Dy e Tb passa a operar na órbita estratégica dos EUA.

Para o investidor: o acesso direto via bolsa continua inexistente. A tese de investimento passa pela eventual listagem da USA Rare Earth ou por ETFs que incluam a empresa no futuro.

O que são as Terras Raras e por que são chamadas assim?

As "terras raras" referem-se a um grupo de 17 elementos químicos que incluem os 15 tipos de materiais lantanídeos (lantânio, cério, praseodímio, neodímio, promécio, samário, európio, gadolínio, térbio, disprósio, hólmio, érbio, túlio, itérbio e lutécio), assim como o escândio e o ítrio.

Apesar do nome, esses elementos não são particularmente "raros" em termos de abundância na crosta terrestre; no entanto, costumam ser encontrados dispersos e misturados com outros minerais, o que dificulta sua extração e encarece sua produção.

terras raras tabela periodica

Sua importância reside nas propriedades físicas e químicas únicas que possuem, como alta condutividade magnética e eletrônica, bem como resistência à corrosão. Essas características os tornam componentes-chave para a fabricação de produtos de alta tecnologia, como por exemplo:

  • Motores de veículos elétricos
  • Turbinas eólicas
  • Dispositivos eletrônicos (telefones, tablets, computadores)
  • Sistemas de defesa e equipamentos militares
  • Telas de televisão de alta definição e luzes LED

EUA aceleram e a Europa fica para trás

Se terras raras são tão essenciais para a indústria tecnológica e militar, o Ocidente não deveria estar subsidiando sua produção? A resposta é um misto de avanço e estagnação.

Nos EUA, desde o segundo mandato de Trump, houve uma reviravolta. Sob o argumento de "emergência energética", Washington começou a subsidiar a reativação do setor de forma agressiva: o Pentágono tornou-se acionista da MP Materials, lançou o "Project Vault" (US$ 12 bi para estoques estratégicos) e facilitou a aquisição da Serra Verde.

A China, por sua vez, usou as terras raras como alavanca geopolítica: implementou restrições de exportação em outubro de 2025, mas as suspendeu até novembro de 2026 após o acordo comercial Trump-Xi. O gesto deixou claro que o controle chinês sobre a cadeia é a principal vulnerabilidade estratégica do Ocidente.

Enquanto isso, na Europa, os avanços são tímidos. Embora existam relatórios de viabilidade e projetos de prospecção, a burocracia e as preocupações ambientais acabam travando qualquer avanço significativo.

E o Brasil?

O Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras (~21 milhões de toneladas de óxidos), só atrás da China. A Serra Verde em Minaçu (GO) era a única operação fora da Ásia a produzir ETR em escala comercial e foi vendida à USA Rare Earth em maio de 2026 por US$ 2,8 bilhões, com participação direta do governo americano.

O governo Lula desistiu da Terrabras (estatal de terras raras) e focou na criação de um Conselho de Minerais Críticos. Há 30 projetos de terras raras em desenvolvimento no Brasil, segundo a ANM, mas apenas um em operação comercial. O risco central: o Brasil pode se consolidar como exportador de matéria-prima sem capturar o valor agregado do refino e dos ímãs.

Perguntas frequentes sobre terras raras

Conclusão

Terras raras viraram tema geopolítico antes de virar tema de portfólio. O investidor brasileiro que quer exposição encontra hoje opções viáveis e auditadas: o ETF UCITS VanEck REMX para diversificação imediata, e ações como MP Materials, Lynas e Neo Performance para teses mais concentradas. Para qualquer dessas vias é preciso uma corretora com acesso internacional e a disciplina de tratar a posição como satélite, dado o histórico de volatilidade do setor.

Fontes citadas