Como investir no espaço? Ações e ETFs

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A conquista do espaço deixou de ser domínio exclusivo de governos e agências como a NASA. Com empresas como a SpaceX de Elon Musk e a Rocket Lab abrindo o setor para o capital privado, o investimento em ativos ligados à economia espacial ganhou relevância nos portfólios de investidores ao redor do mundo — inclusive no Brasil, via BDRs e ETFs internacionais.
Neste artigo, apresentamos 3 ideias concretas para investir no setor espacial — desde ações consolidadas como a Northrop Grumman até ETFs temáticos com exposição diversificada. Também explicamos por que o mercado espacial global deve crescer para US$ 1,8 trilhão até 2035 e como investidores brasileiros podem aproveitar essas oportunidades com segurança.
Pontos-chave sobre investir no setor espacial
- A economia espacial deve atingir US$ 1,8 trilhão em volume de negócios até 2035, com CAGR acima de 15%
- Northrop Grumman (NOC) é uma opção consolidada com mais de 20 anos de dividendos e margens estáveis
- Rocket Lab USA é uma aposta de longo prazo para investidores com maior tolerância ao risco
- O VanEck Space Innovators UCITS ETF (JEDI) oferece exposição diversificada ao setor com critérios ESG
Como investir no espaço?
Esta ainda é a grande pergunta, porque até agora só vimos projetos privados. No entanto, a seguir eu destaco 3 possíveis ideias, que estão gerando importantes revalorizações, nos últimos meses.
Northrop Grumman
Northrop Grumman (NOC), é essencialmente conhecida por seus modernos protótipos de aviação preparados para o combate. Assim, após a aquisição estratégica da Orbital ATK em 2018, a empresa emergiu como um pilar fundamental na indústria do espaço.
Atualmente, a Northrop Grumman está desenvolvendo o OmegA, um foguete de grande capacidade projetado para transportar cargas pesadas tanto para missões comerciais quanto governamentais. Mas, acima de tudo, a empresa se consolidou na fabricação de satélites avançados, contribuindo de maneira notável para o projeto do Telescópio Espacial James Webb para a NASA, uma das iniciativas científicas mais ambiciosas das últimas décadas.

Desde então, não parou de crescer, como seu gráfico demonstra. Vejamos alguns de seus números:
- Margem EBITDA: nos últimos cinco anos, situou-se entre 10% e 20%
- Rentabilidade por dividendo: 1,73%,
- Série de dividendos: embora não pareça verdade, a empresa distribui dividendos há mais de 20 anos com um payout superior a 50%.
- Além disso, seus lucros têm crescido, bastante acima das expectativas.
Rocket Lab USA
E sim, antes íamos com uma das empresas aeroespaciais cotadas mais destacadas e posicionadas do setor, agora vamos com um dos diamantes brutos.
Rocket Lab USA é uma empresa aeroespacial americana especializada no desenvolvimento e lançamento de foguetes para satélites pequenos e médios. Fundada em 2006, a companhia revolucionou o acesso ao espaço por meio de seu foguete Electron, projetado para oferecer lançamentos frequentes, acessíveis e personalizados para clientes comerciais, governamentais e científicos. Além disso, após os sucessos de Musk, a Rocket Lab aproveitou sua descoberta para continuar avançando em tecnologias de reutilização de foguetes e na construção de infraestrutura espacial.

Como demonstra seu gráfico, apesar da recente revalorização, a companhia ainda tem muito a provar, especialmente considerando seus fundamentos, pois ainda não foi capaz de apresentar lucros operacionais. No entanto, deixo registrada a ideia para aqueles amantes do rock'n'roll, ou que simplesmente veem isso como um investimento a muito longo prazo, quando a empresa voltar a recuar.
Lembremos que tanto a Space X, como a Tesla (TSLA), as duas empresas principais de Elon Musk, levaram mais de uma década para apresentar lucros, e veja agora.
VanEck Space Innovators UCITS ETF
O VanEck Space Innovators UCITS ETF (JEDI). Não é legal o ticker deles, hein?
Bem, o certo é que, como te disse no início, este é um setor muito volátil, e assim como você verá valorizações consideráveis, terá que enfrentar drawdowns superiores a 50%, portanto, se você não se sentir capaz disso, permita-me apresentar a alternativa indexada.
O mencionado ETF replica o índice MVIS Global Space Industry ESG, que rastreia empresas de todo o mundo que estão ativas na economia espacial. Trata-se, portanto, do único ETF UCITS focado em atividades da indústria espacial. Além disso, as ações incluídas são filtradas de acordo com critérios ESG (ambientais, sociais e de governança corporativa).

O ETF replica a rentabilidade do índice subjacente comprando os 25 componentes do índice (réplica completa), embora apenas os 10 primeiros componham mais de 65% do mesmo.
Em suma, como você pode ver existe toda uma indústria que, embora sonhe grande, mantém os pés no chão com projetos sérios e realistas; defesa, satélites, Internet, etc. são todos serviços que já hoje são demandados e monetizados, e continuarão a ser no futuro mais imediato.
Por que investir no espaço?
Precisamos entender o porquê. E aqui estão 3 motivos pelos quais, inexoravelmente, será um setor que continuará crescendo com o tempo.
Volume de negócios próximo a 2 trilhões em 2035
Segundo os dados disponíveis até outubro, a indústria espacial global (também conhecida como a indústria da conquista do espaço) teve um volume de negócios estimado em aproximadamente 680 bilhões de dólares americanos anuais.
Mas é que, segundo diversas estimativas econômicas como a da McKinsey, espera-se que o volume de negócios da indústria espacial continue crescendo de maneira significativa até 2030. E já há projeções que indicam cerca de 1 trilhão de dólares americanos anuais nesse ano, e 1,8 trilhão para 2035, o que representaria uma taxa de crescimento anualizada de 35%.

É certo que outras projeções como o relatório da Deloitte Insights, ou outro realizado pela PwC, são um pouco mais conservadoras, mas sempre trabalham com CAGRs superiores a 15% anualizado.
Novas atividades e linhas de negócios... no espaço
E é que os números vistos até agora se sustentam em ideias de negócios que já são visíveis, e que têm muita relação com a conquista do espaço:
- Internet via satélite: com o envio de constelações de satélites em órbita terrestre baixa (LEO) para fornecer conectividade à internet de alta velocidade em todo o mundo, especialmente em áreas remotas. Até agora, o exemplo mais claro tem sido o Starlink, a constelação de mais de 6.000 satélites implantada pela SpaceX, que já conta com mais de 2,7 milhões de clientes em 75 países diferentes.
- Earth Imaging (Imagens da Terra): o Earth Imaging refere-se à captura e análise de imagens da superfície terrestre a partir do espaço para aplicações, como monitoramento ambiental, agricultura de precisão, gestão de desastres e planejamento urbano. Aqui se destacam projetos que já estão operacionais como a empresa GHG Sat ou Capella Space.
- Defesa e segurança espacial: a proteção de ativos espaciais, a segurança das missões e a defesa contra ameaças políticas potenciais no espaço inclui o desenvolvimento de tecnologias para proteger satélites, sistemas de vigilância e capacidades de resposta. Quem sabe, talvez nas guerras de daqui a algumas décadas, em vez de atacar hidrelétricas ou estradas, busque-se derrubar os satélites do inimigo.
Claro, ficaram outras áreas nas quais não vou me estender, como a limpeza de resíduos espaciais onde já se destacam projetos como Space Logistics, ou a própria fabricação e lançamento de foguetes e satélites, onde aparece a grande Space X, de Elon Musk.
Como investir no setor espacial com segurança
Antes de investir em ações ou ETFs do setor espacial, certifique-se de operar por meio de corretoras regulamentadas e seguras. Consulte a lista de corretoras autorizadas pela CVM e saiba como verificar se um broker é regulamentado pela CVM antes de abrir qualquer conta. O setor espacial, por seu apelo inovador, pode atrair plataformas não regulamentadas que simulam investimentos nesse nicho — aprenda a reconhecer os sinais de corretoras fraudulentas para proteger seu capital.
Para quem está começando ou quer consolidar sua exposição ao mercado internacional de ações, escolha uma plataforma sólida: veja nossas recomendações da melhor corretora para ações no Brasil e selecione aquela que ofereça acesso a BDRs, ETFs internacionais e custos competitivos para operar com o setor espacial de forma segura e diversificada.
Perguntas Frequentes
Fontes consultadas: McKinsey & Company — projeções de crescimento da indústria espacial até 2035; BloombergNEF — estimativas de investimento em setores emergentes; CVM — Comissão de Valores Mobiliários — regulamentação de corretoras no Brasil.