Elasticidade da demanda: conceito, fórmula e exemplos

que é a Elasticidade da Demanda

Índice

A elasticidade-preço da demanda mede quanto a quantidade vendida de um produto reage a uma mudança de preço. Acima de 1 a demanda é elástica e o consumidor foge quando o preço sobe; abaixo de 1 é inelástica e ele compra quase igual. Esse único número decide política de preço, margem e leitura de um setor.

Quem formulou o conceito foi o economista inglês Alfred Marshall, que descreveu a relação normalmente inversa entre preço e quantidade procurada. Veja a fórmula, os cinco tipos de elasticidade, exemplos do mercado brasileiro e os fatores que deixam um produto mais ou menos sensível a preço.

Pontos-chave:

  • Elástica: elasticidade acima de 1. A demanda reage forte ao preço.
  • Inelástica: elasticidade abaixo de 1. A demanda quase não reage.
  • O resultado se lê sempre em valores absolutos.
  • Depende de substitutos, renda, marca e prazo.

Como calcular a elasticidade da demanda ou elasticidade-preço da demanda

Quanto maior a inclinação na curva de demanda, mais inelástica será a demanda do produto diante de variações de preço. A fórmula, herdada da formulação de Alfred Marshall, é a seguinte:

Fórmula para calcular a elasticidade-preço da demanda

O resultado da equação deve ser interpretado em valores absolutos: um valor menor que 1 é considerado demanda inelástica, enquanto um valor superior a 1 é interpretado como demanda elástica.

Exemplo prático

Imaginemos que o preço de um bem cai de R$ 18,50 para R$ 18,00 (uma queda de 2,7%). A demanda aumenta de 23 para 25 unidades, ou seja, cresce 8,7%:

E = ((25-23)/23) / ((18-18,5)/18,5) = 8,7% / -2,7% = -3,2174

Em valores absolutos, a elasticidade é 3,2174: um bem elástico, no qual quedas percentuais no preço geram crescimento proporcional ainda maior na demanda.

Um exemplo real: as passagens aéreas no Brasil apresentam alta elasticidade, porque quando as companhias promovem descontos de 30% a 40% a demanda por assentos cresce de forma desproporcional. Por outro lado, medicamentos de uso contínuo como insulina têm demanda praticamente inelástica: o paciente compra independentemente da variação de preço.

Tipos de elasticidade-preço da demanda

Podemos classificar a demanda de produtos de acordo com sua elasticidade em cinco tipos:

TipoValor da elasticidadeExemplo
ElásticaMaior que 1Água engarrafada, passagens aéreas
InelásticaMenor que 1Leite, pão, medicamentos de uso contínuo
UnitáriaIgual a 1Caso de fronteira, raro na prática
Perfeitamente elásticaInfinitaApenas teórico
Perfeitamente inelásticaZeroApenas teórico

Elástica: a demanda é muito sensível às mudanças nos preços (curva com pouca inclinação). Ocorre em mercados com muita competição, por exemplo o mercado de água engarrafada. Em termos numéricos, o resultado da elasticidade é maior que 1.

Inelástica: a demanda é pouco sensível a variações nos preços (curva com muita inclinação). Ocorre em mercados com pouca competição ou produtos muito diferenciados, como produtos Apple, ou em bens de necessidade básica (leite, pão). Elasticidade menor que 1.

Unitária: a variação no preço gera variação exatamente proporcional na quantidade demandada. Elasticidade igual a 1.

Perfeitamente elástica: a elasticidade é infinita. Qualquer aumento de preço derruba a demanda a zero.

Perfeitamente inelástica: a elasticidade é zero. A quantidade demandada não varia diante de mudanças no preço.

Os três últimos casos existem praticamente apenas de forma teórica.

Gráfico dos tipos de elasticidade-preço da demanda

Bens de Giffen e bens de Veblen: as exceções à regra

Existem produtos cuja curva de demanda é positiva: a quantidade demandada sobe quando o preço sobe. São duas exceções diferentes, e costumam ser confundidas.

Bem de Giffen: é um bem inferior e essencial que pesa muito no orçamento. Quando o preço sobe, o consumidor fica mais pobre, abandona os substitutos mais caros e acaba comprando ainda mais do bem barato. O efeito renda supera o efeito substituição e a elasticidade-preço fica positiva. O exemplo clássico são alimentos básicos no orçamento de famílias de renda muito baixa.

Bem de Veblen: aqui o preço alto é o próprio atrativo, porque sinaliza exclusividade ou qualidade. Se o preço cai, o produto perde status e a demanda cai junto. É o caso de artigos de luxo, ou de quem escolhe um vinho mais caro para presentear supondo que o preço garante qualidade.

De que depende a elasticidade da demanda?

  • Existência de bens substitutos: quanto mais substitutos existem, maior tende a ser a elasticidade.
  • Nível de renda: se o preço representa porcentagem alta da renda do consumidor, o produto tende a ter maior elasticidade.
  • Diferenciação e lealdade à marca: marcas com público fiel ou produtos muito diferenciados tendem à inelasticidade.
  • Bens necessários: produtos de necessidade independem do preço e tendem à inelasticidade.
  • Prazo: a elasticidade tende a ser maior no longo prazo. O petróleo, por exemplo, tem demanda inelástica no curto prazo, mas se os preços subirem persistentemente por anos os consumidores migram para veículos elétricos ou transporte público.

A elasticidade na curva de demanda

A curva de demanda de qualquer bem não tem a mesma elasticidade em todos os seus pontos. Em altos preços, um aumento unitário representa uma variação percentual pequena (maior elasticidade). A preços baixos, um aumento unitário representa variação percentual considerável. O mesmo raciocínio se aplica à quantidade: em níveis altos de demanda, uma variação unitária representa percentual pequeno; em níveis baixos, a variação percentual é maior.

*Este artigo trata da elasticidade-preço da demanda. Existem também a elasticidade-renda da demanda (sensibilidade da demanda a mudanças na renda) e a elasticidade cruzada (impacto da variação do preço de um produto na quantidade demandada de outro bem). Para ver onde essas curvas se encaixam no quadro macroeconômico, vale o guia de demanda e oferta agregada.

Elasticidade da demanda aplicada a investimentos

Na bolsa, a elasticidade funciona como filtro de qualidade do negócio. Empresas com demanda inelástica (saneamento, energia, alimentos básicos, farmacêuticas) repassam inflação e custo sem perder volume, e por isso formam o núcleo das carteiras defensivas, como as melhores ações europeias que pagam dividendos.

Já setores de demanda elástica, como aviação, varejo discricionário e turismo, encolhem rápido quando o crédito encarece. Quem opera esses papéis acompanha de perto a agenda macro e o calendário da bolsa americana, já que juro mais alto comprime primeiro o consumo elástico.

Como usar a elasticidade da demanda nas suas decisões

A lição é simples: a elasticidade diz quem manda no preço, a empresa ou o cliente. Em mercado elástico, cortar preço pode aumentar a receita total; em mercado inelástico, cortar preço só queima margem.

Precificar ou comprar uma ação sem medir isso custa caro, porque o erro só aparece no resultado do trimestre seguinte. Calcule a elasticidade com os dados reais do seu mercado, leia o número em valores absolutos e decida a partir dele.

Perguntas frequentes sobre elasticidade da demanda

Fontes consultadas:

  • Alfred Marshall, Principles of Economics, formulação original da elasticidade da demanda.
  • Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Pesquisa de Orçamentos Familiares.