Jordan Belfort: a história real do Lobo de Wall Street

Índice
Jordan Ross Belfort é um dos personagens mais controversos da história recente de Wall Street. Nascido em Nova York em 9 de julho de 1962, construiu uma fortuna milionária vendendo penny stocks pelo telefone à frente da Stratton Oakmont, foi condenado por fraude de valores e lavagem de dinheiro, e cumpriu 22 meses de prisão. Hoje atua como palestrante e autor, com a biografia O Lobo de Wall Street imortalizada por Martin Scorsese em 2013 no filme estrelado por Leonardo DiCaprio.
A trajetória de Belfort virou referência obrigatória para qualquer investidor brasileiro que queira entender os limites entre vendas agressivas, manipulação de mercado e fraude. Nesta biografia reunimos os dados verificados sobre sua vida, o esquema pump and dump que praticou na Stratton Oakmont, as indenizações pendentes com as vítimas e o que ele faz atualmente.
Pontos-chave sobre Jordan Belfort
- Fundou a Stratton Oakmont em 1990 e levou a corretora a operar com mais de 1.000 brokers vendendo penny stocks por telefone.
- Foi condenado em 1999 por fraude de valores e lavagem de dinheiro após colaborar com o FBI, com pena efetiva de 22 meses.
- O prejuízo aos investidores chegou a US$ 200 milhões e a obrigação de indenizar segue ativa décadas depois.
- Hoje atua como palestrante de vendas com o método Straight Line System e aparece em listas de investidores midiáticos ao lado de nomes seguidos por plataformas como o Dataroma, Super Investors.
Quem é Jordan Belfort? Ficha resumida
- Nome: Jordan Ross Belfort.
- Nascimento: 9 de julho de 1962. Local: Nova York, EUA.
- Conhecido por: ser O Lobo de Wall Street.
- Obras destacadas: O Lobo de Wall Street, Pegando o lobo de Wall Street.
- Esposas: Denise Lombardo (1985-1991), Nadine Caridi (1991-2005), Anne Koppe (2008-2020), Cristina Invernizzi (2021-presente).
Biografia de Jordan R. Belfort
De família judaica, Jordan Belfort é filho de Leah e Max Belfort, que foram contadores, embora mais tarde sua mãe se tornou advogada.
Belfort foi criado no bairro de Queens, na cidade de Nova York.
Jordan e seu amigo íntimo de infância, Elliot Loewenstern, se dedicaram à venda de sorvetes italianos na praia, e os transportavam em coolers portáteis. O empreendimento permitiu que ganhassem 20.000 dólares.
Belfort planejava estudar odontologia, então se matriculou no Baltimore College of Dental Surgery. No entanto, sua estadia nessa instituição não durou muito. O reitor lhe disse: A era de ouro da odontologia acabou. Se você está aqui apenas para tentar ficar rico, está no lugar errado. E bem, podemos suspeitar por que Belfort abandonou essa carreira.
Finalmente, nosso protagonista estudou Biologia na American University, uma carreira ainda distante das finanças, mas chegaremos lá.
Seus primeiros trabalhos foram focados em vendas, começou vendendo aspiradores de porta em porta.
Belfort teve um empreendimento de venda de carnes e frutos do mar em domicílio em Long Island, Nova York. No início, teve sucesso, segundo o próprio Belfort, vendendo 2.250 quilos de carne e peixe por semana. Mas depois o negócio entrou em declínio e o jovem empresário, com apenas 25 anos, declarou falência.
E aqui é onde começou sua carreira como corretor de bolsa na LF Rothschild. No entanto, foi demitido quando a empresa enfrentou dificuldades financeiras geradas pela segunda-feira negra de 1987.
Em 1990, aos vinte e dois anos, fundou sua própria empresa, Stratton Oakmont. Pelo porte do esquema e pelo número de investidores prejudicados, o nome de Belfort aparece com frequência em discussões sobre os mais ricos do Brasil e do mundo que construíram fortuna a partir do mercado financeiro, ainda que no seu caso a riqueza tenha sido revertida pela Justiça.
Stratton Oakmont e as fraudes de Belfort
Durante a década de 1990, fundou, junto com Danny Porush, a corretora Stratton Oakmont. Esta empresa estava indo muito bem e se dedicava a vender penny stocks, ou seja, ações de baixo valor, geralmente menos de 5 dólares.
Belfort recorria ao pump and dump, ou seja, inflava o preço das ações que vendia divulgando notícias e rumores que eram falsos. O objetivo era impulsionar a cotação para que naquele momento os proprietários da empresa vendessem e se beneficiassem. No entanto, após essas vendas, o preço despencava, e aqueles que mantinham esses ativos perdiam dinheiro.
As ações vendidas com este método fraudulento nem sequer tinham expectativa de recuperação, pois o aumento em seu valor só se sustentou em informações falsas.
Durante os anos em que foi presidente da empresa, Jordan Belfort levou um estilo de vida muito agitado, com festas contínuas e uma forte dependência de drogas como a metacualona, como pode ser visto no filme O Lobo de Wall Street, estrelado por Leonardo DiCaprio.
Esta empresa chegou a ter em seu quadro mais de 1.000 corretores de bolsa e participou na emissão de novas ações no valor de mais de 1.000 milhões de dólares de cerca de 35 empresas, incluindo uma oferta pública de venda (OPV) da empresa de calçados Steve Madden Ltd. que se revelou fraudulenta.
Para acabar com as contínuas fraudes, o regulador financeiro, Joseph Borg, formou um grupo de trabalho multi-estatal que levou ao processamento da empresa Stratton.
Jordan Belfort foi acusado em 1998 de fraude de valores, lavagem de dinheiro e manipulação do mercado de ações. Após colaborar com o FBI, foi preso em uma prisão federal por 22 meses, condenado por pump and dump.
Isso resultou em uma perda de 200 milhões de dólares para os investidores. Belfort deve indenizar, segundo a justiça, com mais de 100 milhões a seus antigos clientes.
Foi na prisão onde Jordan Belfort conheceu Tommy Chong, que o encorajou a escrever suas histórias e publicá-las.
Belfort indenizou suas vítimas?
Belfort tem vindo a pagar indenizações, mas suas obrigações com este assunto não estão finalizadas.
Após sua saída da prisão, o acordo foi pagar 50% de seus rendimentos a seus clientes defraudados. No entanto, em 2013 o Departamento de Justiça dos EUA apresentou uma queixa alegando que isso não havia sido cumprido durante os quatro anos anteriores (desde 2009).
BusinessWeek informou que Belfort havia reportado rendimentos de 1,2 milhões de dólares pela venda dos direitos para o filme O Lobo de Wall Street. No entanto, teria pago apenas 21.000 dólares para a restituição de suas vítimas.
Belfort garantiu que foi o Governo que teria negado que se utilizasse 100% das rendas de seus livros para as indenizações a suas vítimas.
Programa de treinamento “The Straight Line System”
No final do filme O Lobo de Wall Street, Jordan Belfort aparece dando um treinamento de vendas no qual pede aos seus alunos que vendam uma caneta.
Um fato curioso da vida de Belfort é que ele adquiriu um iate luxuoso chamado Nadinne, que originalmente foi construído para a famosa Coco Chanel. Este naufragou perto da Sardenha em junho de 1996. Todos os tripulantes sobreviveram, mas o barco afundou.
O naufrágio do Nadinne ocorreu por insistência em sair para o mar, quando o capitão aconselhava o contrário devido às condições climáticas. E os avisos eram verdadeiros, pois uma onda quebrou a escotilha do iate e assim ocorreu o acidente.
Outro fato interessante é que Belfort investe em criptomoedas, embora inicialmente fosse cético em relação a elas.
Atualmente, Belfort se dedica a dar palestras e seminários. Seu discurso é sobre a importância da ética nos negócios e o aprendizado a partir dos erros. Embora, soe paradoxal que, segundo várias fontes, ele afirmou durante suas apresentações que 95% de seu negócio era legítimo.
Perguntas Frequentes sobre Jordan Belfort
Conclusão: o que a história do Lobo de Wall Street ensina ao investidor brasileiro
A história de Jordan Belfort funciona como um lembrete duro: nem todo discurso de vendas brilhante esconde um produto financeiro saudável. O esquema da Stratton Oakmont prosperou porque misturava carisma, pressão comercial e informação manipulada, exatamente os ingredientes que aparecem hoje em fraudes envolvendo penny stocks, pirâmides cripto e supostas oportunidades de retorno garantido no Brasil.
Para o investidor brasileiro, fica a lição prática de checar regulação (CVM e B3), desconfiar de retornos extraordinários prometidos por telefone ou redes sociais e estudar o histórico real dos gestores antes de confiar patrimônio a qualquer corretora. A figura do Lobo continua útil como referência de tudo aquilo que não se deve replicar.
Fontes citadas: