BATS: o que é e como investir na Cboe Global Markets

como investir com BATS

Índice

A BATS foi a bolsa eletrônica que nasceu em 2005 para brigar em preço com a NYSE e a Nasdaq, e deixou de existir como empresa independente em 2017, quando a Cboe Holdings a comprou. A tecnologia dela, no entanto, continua no centro do mercado americano.

Hoje as quatro bolsas de ações que a BATS criou (BZX, BYX, EDGX e EDGA) operam sob a Cboe Global Markets, e o braço europeu virou a maior bolsa pan-europeia por participação de mercado. Veja o que era a BATS, o que sobrou dela e por onde passa o investimento.

Pontos-chave

  • BATS era a sigla de Better Alternative Trading System.
  • Comprada pela Cboe em 2017.
  • Suas quatro bolsas seguem ativas: BZX, BYX, EDGX e EDGA.
  • Acesso via ação da Cboe, não da BATS.

O que é Bats Global Markets?

A BATS, ou Bats Global Markets, antes conhecida como Better Alternative Trading System, era uma operadora de bolsas sediada em Lenexa, no Kansas. Começou como plataforma alternativa de negociação, totalmente eletrônica, e se tornou uma operadora global de bolsas.

A proposta era simples e agressiva: custo de execução mais baixo e tecnologia enxuta, com uma equipe pequena para o tamanho do volume negociado. Foi esse modelo que a tornou atraente para bancos globais que precisavam negociar ações entre países sem pagar as tarifas das bolsas tradicionais.

Entre os bancos que tiveram participação societária na BATS, quando ela ainda era de capital fechado, estavam Citigroup, Bank of America e Credit Suisse. Esse quadro é histórico: a BATS abriu capital, foi comprada pela Cboe e o Credit Suisse foi absorvido pelo UBS em 2023.

História

A Bats foi fundada em junho de 2005 e era o acrônimo de "Better Alternative Trading System". Em 2008, recebeu a aprovação da SEC para se tornar uma bolsa de valores propriamente dita.

Em 2011, a BATS comprou a Chi-X Europe Limited, o maior centro de negociação transfronteiriço da Europa, e passou a operar como BATS Chi-X Europe. Em 2014, a fusão com a Direct Edge a colocou como segunda maior bolsa de ações dos Estados Unidos em volume, atrás da NYSE e à frente da Nasdaq.

Em 2015, a compra da Hotspot levou a BATS ao mercado de câmbio. E em março de 2017 a Cboe Holdings adquiriu a Bats, numa operação que gerou ganho de escala em custos e deixou a Cboe mais competitiva diante da Bolsa de Valores de Nova York e da Nasdaq.

A plataforma da BATS trazia quatro bolsas de ações nos EUA: BZX, BYX, EDGA e EDGX, além da BATS Options e da BATS Chi-X Europe. Todas seguem em operação, agora com a marca Cboe, e o motor de casamento de ordens da Bats foi adotado pela própria Chicago Board Options Exchange.

Como funcionam os BATS

A plataforma Bats era um sistema de negociação alternativo totalmente eletrônico, desenhado para evitar as falhas tecnológicas que derrubavam as bolsas da época.

Dentro da Cboe, as quatro bolsas deixaram de ser alternativas e passaram a ser infraestrutura central do mercado americano. Cada uma mantém livro de ofertas e tabela de tarifas próprios, o que atrai perfis diferentes de ordem: a BZX é conhecida pela melhora de preço oculta, a EDGX pelo fluxo de varejo, a BYX pelo modelo taker-maker e a EDGA pelo roteamento sem faixas de tarifa.

Quem opera ações americanas negocia nessas bolsas todos os dias, muitas vezes sem saber. Para acompanhar quando elas funcionam, vale consultar o calendário da bolsa americana, com os feriados e os horários de cada sessão.

O que restou da BATS na Europa

O braço europeu que nasceu da compra da Chi-X é hoje a Cboe Europe Equities, a maior bolsa pan-europeia de ações por participação de mercado, com negociação em papéis de 18 países. No primeiro trimestre de 2026 a fatia média foi de 25,5%, a maior desde o fim de 2011.

Para o investidor brasileiro isso tem um efeito prático: boa parte da liquidez das melhores ações europeias que pagam dividendos passa por essa infraestrutura, e não pelas bolsas nacionais de cada país.

Como investir no Bats Global Market

Não é possível comprar ação da BATS: ela não existe mais como empresa de capital aberto. O caminho é a Cboe Global Markets, que negocia sob o código CBOE na própria bolsa BZX e concentra todo o negócio herdado da BATS.

Para chegar a esse papel desde o Brasil há duas rotas. A primeira é abrir conta em uma corretora com acesso ao mercado americano e comprar a ação diretamente em dólar. A segunda é verificar se existe um BDR disponível na B3 que replique o papel, alternativa que dispensa remessa de recursos ao exterior.

Outra coisa, bem diferente, é virar membro das bolsas (BYX, BZX, EDGA e EDGX). Isso não é investimento: é credenciamento profissional. Exige ser corretora registrada, estar filiada a uma Organização Autorreguladora e ter vínculo com uma câmara de compensação, além de enviar a documentação à área de Membership Services da Cboe.

Vale a pena olhar a BATS hoje?

A BATS virou uma lição de como a tecnologia barata reorganiza um mercado inteiro: nasceu desafiando NYSE e Nasdaq em custo e acabou comprada pela Cboe, que adotou o motor dela.

Para quem investe, a consequência é direta: procurar BATS na tela não leva a nada, e quem quer exposição a esse negócio precisa olhar a Cboe. Confira o código CBOE na sua corretora internacional ou a lista de BDRs da B3 antes de montar posição.

Perguntas Frequentes sobre a BATS

Fontes consultadas:

  • Cboe Global Markets, relatórios de volume e participação de mercado de ações nos EUA e na Europa.
  • Securities and Exchange Commission, registro das bolsas BZX, BYX, EDGX e EDGA.