GOAT11: o ETF híbrido de renda fixa e S&P 500

Índice
O GOAT11 rendeu 11,36% em 12 meses e 15,00% desde o lançamento, reunindo Tesouro IPCA+ e ações americanas em um único ativo negociado em reais na B3. É o primeiro ETF híbrido do mercado brasileiro: 80% em títulos atrelados à inflação (IMA-B) e 20% no índice S&P 500, com taxa de 0,50% ao ano, imposto de renda de 15% e sem come-cotas.
Com a Selic em 13,75% ao ano e o IPCA acumulado em 4,22% em 12 meses, a dúvida deixou de ser entre renda fixa e bolsa e passou a ser como equilibrar as duas sem pagar caro por isso. Você vai ver aqui como o fundo funciona, quanto ele rendeu, como é tributado e para qual perfil de investidor faz sentido.
O que é um ETF híbrido e como o GOAT11 funciona
Até o lançamento do GOAT11 pela Itaú Asset, os ETFs brasileiros operavam em dois extremos: 100% renda variável ou 100% renda fixa. O GOAT11 quebrou esse padrão ao combinar as duas classes em proporções fixas dentro de um único fundo negociado em bolsa. A lógica é parecida com a dos fundos balanceados americanos, mas com as particularidades do mercado local.
Os 80% investidos no IMA-B dão exposição a títulos públicos indexados ao IPCA, enquanto os 20% no S&P 500 capturam o crescimento de empresas como Apple, Microsoft, Amazon, Nvidia e Alphabet. O gestor faz o rebalanceamento automaticamente, sem que você precise fazer nada além de manter as cotas.
Esse modelo multiativos traz um benefício pouco discutido: a correlação negativa entre as duas classes em certos cenários. Em 2022, por exemplo, o S&P 500 em dólar caiu 23,56%, enquanto o IMA-B subiu 6,37%. A combinação amorteceu perdas sem exigir que o investidor tomasse decisões sob pressão. Para quem pensa em alternativas como a previdência privada, o GOAT11 pode funcionar como complemento de carteira com liquidez em bolsa e custo mais transparente.
Composição e ficha técnica do GOAT11
Veja os principais dados do fundo:
| Característica | Dado |
|---|---|
| Ticker | GOAT11 |
| Nome do fundo | It Now S&P IMA-B Fundo de Índice RL |
| Gestora | Itaú Asset Management |
| Índices de referência | IMA-B (80%) + S&P 500 (20%) |
| Início do fundo | 09/05/2025 |
| Taxa de administração | 0,50% ao ano |
| Taxa de performance | Não há |
| Liquidez | D+2 |
| Tributação | 15% de IR sobre o ganho, sem come-cotas |
| Aporte mínimo | Aproximadamente R$ 50 |
| Negociado em | B3 |
Fonte: Itaú Asset Management, lâmina do It Now S&P IMA-B (GOAT11).
A taxa de 0,50% ao ano é mais alta do que a de ETFs puros como o IVVB11 (0,23%), mas o custo adicional cobre o rebalanceamento automático entre as duas classes de ativos. Feito manualmente, esse ajuste exigiria transações frequentes e poderia gerar imposto a cada realocação.
Rentabilidade do GOAT11: quanto o fundo rendeu
O fundo começou a operar em 09/05/2025, então ainda não há histórico de três ou cinco anos. Os números disponíveis até agora:
| Período | Rentabilidade |
|---|---|
| No ano de 2026, até agosto | 6,57% |
| 12 meses | 11,36% |
| Ano de 2025, de maio a dezembro | 7,92% |
| Desde o início (09/05/2025) | 15,00% |
| Volatilidade em 12 meses | 4,36% |
Fonte: Itaú Asset Management, lâmina do It Now S&P IMA-B (GOAT11) de 31 de agosto de 2026. Rentabilidade passada não garante rentabilidade futura.
A volatilidade de 4,36% em 12 meses é o dado que melhor explica a proposta do fundo: bem abaixo da de uma carteira só de ações americanas, porque os 80% em títulos indexados à inflação seguram a oscilação do conjunto.
Tributação do GOAT11: vantagem real ou marketing?
A Receita Federal enquadra o GOAT11 como fundo de índice de renda fixa, mesmo com 20% de exposição ao S&P 500. Pela Lei 13.043/2014, esses fundos pagam 25%, 20% ou 15% de imposto de renda conforme o prazo médio de repactuação da carteira. Como o IMA-B tem prazo médio superior a 720 dias, a alíquota aplicada ao GOAT11 é de 15%.
Não há come-cotas, a antecipação semestral do imposto que reduz o rendimento dos fundos de investimento tradicionais. E o imposto é retido na fonte no momento da venda com lucro: você não precisa emitir DARF nem controlar prazos de recolhimento, o que simplifica bastante a vida de quem acumula cotas aos poucos.
Quem já investe em ETFs irlandeses sabe que a estrutura tributária importa tanto quanto o retorno bruto. No caso do GOAT11, a simplicidade do regime fiscal é um dos argumentos mais sólidos a favor do produto.
GOAT11 vs IVVB11 vs IMAB11: qual escolher?
| Característica | GOAT11 | IVVB11 | IMAB11 |
|---|---|---|---|
| Tipo | Híbrido multiativos | Renda variável (EUA) | Renda fixa (IPCA) |
| Composição | 80% IMA-B / 20% S&P 500 | 100% S&P 500 | 100% Tesouro IPCA+ |
| Tributação | 15% (prazo médio acima de 720 dias) | 15% sobre o ganho na venda | 15% a 25% conforme o prazo médio |
| Recolhimento do IR | Retido na fonte | DARF pelo investidor | Retido na fonte |
| Come-cotas | Não | Não | Não |
| Taxa de administração | 0,50% ao ano | 0,23% ao ano | 0,20% ao ano |
| Aporte mínimo | Cerca de R$ 50 | Cerca de R$ 150 | Cerca de R$ 100 |
Fonte: Lei 13.043/2014 para o regime dos fundos de índice de renda fixa e lâminas dos respectivos fundos.
O GOAT11 não é necessariamente melhor do que os outros: é uma opção diferente. Quem quer máximo retorno no longo prazo e tolera volatilidade pode preferir o IVVB11. Quem busca proteção inflacionária pura pode optar pelo IMAB11.
O GOAT11 atende bem a quem quer os dois objetivos em uma única posição, sem precisar rebalancear manualmente. Antes de decidir, vale comparar com outras opções de renda fixa como LCI ou CDB, que com a Selic em 13,75% oferecem rentabilidades competitivas e prazos variados.
Para quem o GOAT11 faz sentido
O perfil ideal é o investidor que quer diversificação internacional, mas não está disposto, ou não tem capital, para abrir conta em corretora estrangeira e operar diretamente em ETFs americanos. Com aporte mínimo em torno de R$ 50, o fundo é acessível para quem está começando.
Além disso, o rebalanceamento automático elimina a disciplina emocional necessária para manter a alocação alvo em momentos de estresse de mercado. O produto também interessa a quem já tem carteira concentrada em renda fixa brasileira e quer adicionar um componente de crescimento sem elevar demais o risco do conjunto.
Como comprar GOAT11: passo a passo
A compra do GOAT11 segue o mesmo fluxo de qualquer ETF negociado na B3:
- Abra conta em uma corretora habilitada na B3 (veja as melhores corretoras para ETFs).
- Transfira o valor desejado para a conta da corretora.
- Acesse o home broker e busque pelo ticker GOAT11.
- Informe a quantidade de cotas e confirme a ordem.
- O ativo será liquidado em D+2 úteis.
Não há custo adicional além da taxa de administração e da eventual corretagem cobrada pela sua corretora. Muitas plataformas já zeram a corretagem para ETFs, então vale verificar as condições antes de operar.
Melhores corretoras para investir no GOAT11
Para operar o GOAT11 com eficiência, a escolha da corretora afeta diretamente os custos e a experiência de uso. A seguir, as plataformas que se destacam para investidores brasileiros interessados em ETFs:
1. XM
A XM é a primeira opção para quem quer acesso amplo a ativos internacionais com suporte em português e plataforma robusta. Além de ETFs da B3, permite exposição direta a mercados globais com execução rápida e spreads competitivos. A corretora é regulada internacionalmente e oferece recursos educativos sólidos para investidores em todos os níveis.
2. Just2Trade
A Just2Trade se destaca pelas taxas reduzidas e pelo acesso a uma ampla gama de ativos internacionais. Para investidores que desejam combinar posições em ETFs brasileiros como o GOAT11 com exposição direta ao mercado americano, a plataforma oferece boa relação custo-benefício com interface intuitiva e suporte ao cliente dedicado.
Riscos do GOAT11 que você precisa conhecer
Apesar das vantagens, o GOAT11 carrega riscos que precisam ser considerados antes do investimento:
- Risco de mercado: a parcela do S&P 500 está sujeita às oscilações da bolsa americana, que podem ser expressivas em períodos de crise.
- Risco cambial: a variação do dólar frente ao real afeta diretamente os 20% investidos nos EUA, nos dois sentidos.
- Risco de duração: os títulos do IMA-B têm longa duration, o que os torna sensíveis a altas de juros. Com a Selic em 13,75%, novos movimentos de alta pressionariam o preço dos papéis.
- Risco de liquidez: em dias de baixo volume, o spread entre compra e venda pode ser maior do que em ETFs mais tradicionais como o IVVB11.
- Risco de gestão: a qualidade do rebalanceamento depende das decisões da Itaú Asset, incluindo o momento dos ajustes e os custos de transação internos ao fundo.
Vale lembrar que fundos de índice não contam com a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Você pode checar o registro do fundo e de qualquer corretora no site da CVM antes de investir.
GOAT11 vale a pena em 2026?
Com a Selic em 13,75% e o IPCA a 4,22% em 12 meses, a renda fixa brasileira entrega juro real alto, e o GOAT11 só se justifica se você quiser somar a essa base uma fatia de bolsa americana sem administrar dois produtos. Foi o que ele fez até agora, com 11,36% em 12 meses e volatilidade de 4,36%.
Ficar só em um dos lados custa caro: quem fica apenas na renda fixa abre mão do crescimento das maiores empresas do mundo, e quem fica apenas em bolsa aceita uma oscilação que talvez não suporte. Compare a composição e os custos no simulador da sua corretora e decida qual fatia da sua carteira faz sentido alocar aqui.
Perguntas Frequentes sobre o GOAT11
Fontes consultadas:
- Banco Central do Brasil — meta da taxa Selic e cotação do dólar
- IBGE — IPCA acumulado em 12 meses
- Lei 13.043/2014 — tributação dos fundos de índice de renda fixa
Dados do fundo: Itaú Asset Management, lâmina do It Now S&P IMA-B (GOAT11) de 31 de agosto de 2026.