Irving Fisher: biografia, teoria quantitativa e equação

Irving Fisher

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Irving Fisher (1867-1947) foi um economista norte-americano e professor da Universidade de Yale, considerado um dos pais da macroeconomia moderna e da econometria. Suas contribuições sobre a teoria quantitativa da moeda, a relação entre juros nominais, juros reais e inflação, e a chamada deflação da dívida continuam a iluminar o debate financeiro brasileiro, num ambiente em que a Selic está em 14,25% ao ano e o IPCA acumulado em 12 meses chega a 4,72%.

Neste perfil você vai encontrar a trajetória de Fisher, o significado prático da teoria quantitativa da moeda, a famosa equação de Fisher e como suas ideias ajudam a entender decisões cotidianas de quem investe em renda fixa ou acompanha a política monetária do Banco Central do Brasil.

Pontos-chave

Irving Fisher

Biografia de Irving Fisher

Irving Fisher nasceu em 27 de fevereiro de 1867 em Saugerties, no estado de Nova York. Formou-se em matemática pela Universidade de Yale em 1888 e, na vida profissional, dedicou-se principalmente à economia, filiado à corrente da escola neoclássica.

Fisher também foi inventor e empresário, e se envolveu em causas sociais. Posicionou-se contra o álcool, o tabaco e a guerra, e fez campanha para que os Estados Unidos aderissem à Sociedade das Nações (SDN), órgão internacional fundado após o Tratado de Versalhes (1919) com a intenção de assentar bases para a paz no pós-Primeira Guerra Mundial. A SDN foi a precursora da Organização das Nações Unidas (ONU).

Sua reputação sofreu um golpe em 1929, quando afirmou que o mercado de ações havia alcançado um "platô permanente de estabilidade" poucas semanas antes da queda de Wall Street que daria origem à Grande Depressão. Fisher perdeu prestígio e boa parte de sua fortuna pessoal. Com o tempo, sua obra foi reabilitada na macroeconomia, sobretudo a teoria da deflação da dívida, que voltou ao centro do debate após crises financeiras modernas.

Fisher faleceu em 29 de abril de 1947 em Nova York, aos oitenta anos. Hoje seu nome figura ao lado dos grandes pensadores das finanças, ainda que sem o patrimônio dos mais ricos do Brasil ou dos investidores acompanhados pelo Dataroma — Super Investors.

Irving Fisher é um dos grandes nomes das finanças que destacamos em nossa lista especial de investidores e economistas influentes.

Teoria quantitativa do dinheiro

A teoria quantitativa do dinheiro de Fisher é resumida na seguinte fórmula:

teoria quantitativa do dinheiro de Fisher

Onde M é a massa monetária ou estoque de moeda, V é a velocidade de circulação do dinheiro, P é o nível geral de preços e T são as transações realizadas no período analisado. Essa variável pode ser substituída pelo nível de produção ou PIB (Y).

Portanto, se assumirmos que no curto prazo V e T são constantes (no caso de T, porque estamos diante de um nível de produção em pleno emprego), variações em M provocam apenas mudanças em P. Em outras palavras, um aumento da massa monetária gera, no curto prazo, aumento de preços. Esse raciocínio dialoga diretamente com a elasticidade da demanda e ajuda a contextualizar comparações de poder de compra como o Índice Big Mac.

A equação de Fisher

A equação de Fisher explica a relação entre a taxa de juros nominal, a inflação esperada e a taxa de juros real.

A taxa nominal é aquela que reflete o juros contratado, sem considerar a perda do poder de compra. Já a taxa real incorpora a variação que pode ocorrer na capacidade de compra do dinheiro, por isso inclui a inflação na conta.

Na equação, a taxa nominal é a variável dependente; a taxa real e a inflação são variáveis independentes ou explicativas, determinadas de forma exógena. A inflação esperada, por exemplo, pode ser obtida em pesquisas oficiais como o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central do Brasil.

A fórmula é a seguinte:

i = r + π

Onde:

i = taxa de juros nominal

r = taxa de juros real

π = inflação esperada

A equação de Fisher também pode ser expressa da seguinte forma:

formula fisher

Aplicações práticas para o investidor brasileiro

Com a Selic em 14,25% ao ano e o IPCA acumulado em 12 meses em 4,72%, a equação de Fisher oferece uma chave de leitura imediata: o juro real aproximado de um título prefixado próximo da Selic gira em torno de 9% ao ano. Esse cálculo é decisivo para comparar alternativas como Tesouro Selic, CDB, LCI e LCA, especialmente quando o investidor avalia LCI ou CDB para preservar e ampliar o poder de compra ao longo do tempo.

Perguntas Frequentes

Fontes citadas