Paul Allen: visionário da tecnologia e cofundador da Microsoft

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Toda grande empresa tem pessoas incríveis por trás dela. Paul Allen cofundou a Microsoft com Bill Gates e se transformou em um dos investidores mais visionários do Vale do Silício. Nesta biografia você acompanha sua trajetória do quarto compartilhado em Harvard até virar bilionário, suas melhores frases, seu método de investimento em tecnologia emergente e o legado filantrópico que deixou.
Pontos-chave
Quem era Paul Allen?
Paul Allen nasceu em 21 de janeiro de 1953, em Seattle (EUA), e foi junto com Bill Gates o cofundador da Microsoft, em 1975. Em 1983 teve que se afastar da empresa depois de ser diagnosticado com linfoma de Hodgkin, que superou após meses de tratamento e um transplante de medula óssea. Ainda assim, manteve um pacote acionário relevante no gigante do software. Em 1986 fundou a Vulcan Northwest Inc., em Washington, dedicada a financiar projetos e novas empresas de capital de risco.

Allen ficou conhecido, por meio da Vulcan, como um dos investidores de capital mais bem-sucedidos do Vale do Silício. Possuía participações em mais de 50 empresas de setores como tecnologia e entretenimento: Experience Music Project, Entertainment Properties Inc, Charitable Foundations, Vulcan Ventures Inc, First & Goal Inc e Clear Blue Sky Productions são apenas algumas delas. Também era dono do time de futebol americano da NFL, o Seattle Seahawks, e do time de basquete Portland Trail Blazers, da NBA.
Foi um dos primeiros a apostar em nomes como a AOL quando o negócio ainda dava seus primeiros passos, e Steve Case, chefe da AOL, buscava capital para escalar. Outras empresas famosas também se beneficiaram do capital que Allen distribuía pelo Vale do Silício, incluindo Metricom e Dreamworks.
Um dos poucos erros que Paul Allen confessou foi não ter investido a tempo no eBay.com, uma das empresas mais lucrativas do setor de internet. Ainda assim, a Vulcan Ventures mantinha o olho e a carteira onde estavam as melhores oportunidades. É um perfil que se pode comparar aos gigantes acompanhados pelo Dataroma — Super Investors, plataforma que compila os movimentos dos maiores gestores do mundo.
Quando corria na Wall Street a notícia de que Allen planejava investir em alguma empresa, investidores privados tentavam entrar no negócio confiando no faro do ex-sócio de Bill Gates. Os poupadores nos Estados Unidos e em outras partes do mundo sabiam que Gates, Allen e cia. eram verdadeiras máquinas de fazer bons negócios. Sempre que algum desses "mimados" pela fortuna e pelos dólares fazia um movimento, a máquina especulativa reagia e as cotações costumavam disparar. Os analistas chamavam isso de "fator Paul Allen".
Últimos anos de vida
Em seus últimos anos de vida, Paul Allen fundou o Allen Institute for Artificial Intelligence (AI2) em 2013, uma organização de pesquisa em IA que hoje segue ativa e financia diversos projetos open source. Também patrocinou expedições em águas profundas em busca de relíquias históricas, como o navio de guerra USS Indianapolis, encontrado em 2017.
Em 15 de outubro de 2018, Paul Allen faleceu em Seattle, aos 65 anos, em decorrência da recorrência do linfoma que o havia obrigado a deixar a Microsoft décadas antes.
Melhores frases de Paul Allen
Como o cofundador da Microsoft investia?
A estratégia de investimento de Allen se concentrava em tecnologia emergente e infraestrutura digital. Estava convencido de que o próximo boom viria no setor interativo, tão logo a infraestrutura digital baseada em fibra óptica, transmissão óptica e conectividade estivesse madura. E foi exatamente isso que aconteceu na virada dos anos 2000, com a explosão da internet comercial.
Em 1990, muito antes de os analistas de Wall Street perceberem o potencial das empresas de comunicação digital, Paul Allen já mantinha posições nelas. Isso é o que se chama de visão de longo prazo aplicada com capital.
No início dos anos 2000, antes do estouro da bolha das ponto-com, a fortuna de Bill Gates girava em torno de US$ 85 bilhões, enquanto Paul Allen tinha cerca de US$ 40 bilhões. Ambos figuravam ano após ano entre as pessoas mais ricas do mundo — em comparação, os mais ricos do Brasil juntos não chegariam à mesma escala, o que dá dimensão do que a Microsoft representou em criação de valor.
O lado filantrópico de Allen
Allen, assim como seu sócio e amigo Bill Gates, foi um filantropo declarado que doou grande parte de sua fortuna para causas beneficentes e projetos científicos. Em vida, doou mais de US$ 2 bilhões para instituições ligadas à ciência cerebral, à conservação ambiental, à educação e à cultura em Seattle.
Após seu falecimento, o comitê responsável por sua fortuna, estimada em cerca de US$ 20 bilhões, deu continuidade ao processo de doações. Grande parte foi direcionada para o Allen Institute (pesquisa em cérebro e IA), para causas climáticas e para o financiamento de instituições culturais em Washington.
Vale a pena estudar a carteira de Paul Allen?
Sim, especialmente para investidores brasileiros que buscam exposição a temas seculares (IA, biotech, energia limpa). Allen é um exemplo de como concentrar capital em teses de longo prazo antes que virem consenso pode gerar múltiplos de retorno enormes. Mais do que copiar seus movimentos (impossíveis para varejo), o legado é o método: identificar mudanças estruturais cedo, alocar posições relevantes e ter paciência para o mercado reconhecer.
Perguntas Frequentes
Fontes citadas