TOP 10 fundos imobiliários com maiores dividendos

TOP FIIS DIVIDENDOS

Índice

Os fundos imobiliários com maiores dividendos continuam concentrados no segmento de papel, com o KIVO11 liderando com 8,84% de dividend yield acumulado. O cenário, porém, começou a virar: o Copom cortou a Selic para 13,75% ao ano em setembro de 2026, o que reduz a parcela dos CRIs remunerada pelo CDI, enquanto o IPCA voltou a acelerar e fechou setembro em 4,58% em 12 meses, o que sustenta a parcela indexada à inflação.

Neste guia você vê os 10 FIIs com maiores dividendos acumulados no ano, como funciona o cálculo da distribuição, quando o dinheiro cai na conta e o que avaliar antes de investir além do yield bruto.

Pontos-chave

  • FIIs de papel lideram o ranking de dividendos.
  • KIVO11 abre a lista com DY acumulado de 8,84%.
  • Rendimentos de FIIs são isentos de IR para pessoa física.
  • Com a Selic caindo, o pêndulo tende a girar para o tijolo.

Ranking dos FIIs que pagam mais dividendos

O levantamento a seguir, com base no acumulado de janeiro a maio de 2026, mostra os FIIs com maiores dividend yields do período. Os fundos imobiliários de recebíveis (papel) dominam as primeiras dez posições.

Kilima Volkano Recebíveis (KIVO11)Lidera o ranking com DY acumulado de 8,84%, no segmento de papel. Reúne cerca de 7,3 mil cotistas na B3.
Life Capital Partners (LIFE11)DY acumulado de 8,78%, também do segmento de papel, com carteira focada em recebíveis imobiliários.
Habitat Recebíveis (HABT11)Fecha o pódio com DY de 7,79%, sustentado por CRIs indexados ao IPCA e ao CDI.
Fator Verita Multiestratégia (VRTM11)DY de 7,43% no acumulado, com estratégia diversificada em crédito imobiliário.
Manati Capital Hedge (MANA11)DY de 7,24%, do segmento de papel, com foco em proteção contra a inflação.
Tellus Properties (TEPP11)DY de 7,18%, atrelado a recebíveis com lastro pulverizado.
Polo Crédito Imobiliário (PORD11)DY de 7,14%, com carteira de CRIs de média duração.
Cyrela Crédito (CYCR11)DY de 7,10%, ligado ao grupo Cyrela e com exposição ao mercado residencial.
RBR Premium (RPRI11)DY de 7,08%, com gestão da RBR Asset focada em high grade.
HSI Ativos Financeiros (HSAF11)Encerra o TOP 10 com DY de 6,95%, em mandato multiestratégia.

O domínio dos FIIs de papel se explica pelo juro alto do primeiro semestre, que sustentou a remuneração dos CRIs atrelados ao CDI e ao IPCA. Com a Selic em 13,75% e em trajetória de queda, a perna de CDI tende a render menos, e o pêndulo costuma voltar para os fundos de tijolo, mais sensíveis ao ciclo imobiliário. A reaceleração do IPCA em setembro segura parte dessa migração, porque a perna indexada à inflação continua entregando.

Cuidado com os rankings de dividend yield instantâneo que circulam na internet: eles frequentemente trazem fundos com yield acima de 40% ao ano, quase sempre por causa de um pagamento extraordinário pontual ou de uma queda forte na cota. São dois fenômenos que não se repetem no mês seguinte.

Por que cada ranking aponta um líder diferente

Vale entender a mecânica, porque três listas publicadas no mesmo ano apontam três campeões distintos. No acumulado de janeiro a maio, o líder é o KIVO11, com 8,84%. Na janela de 12 meses encerrada em março de 2026, a mesma Grana Capital coloca à frente o Hospital da Criança (HCRI11), com cerca de 17,95% e R$ 51,71 distribuídos por cota. Olhando só o primeiro semestre e apenas os fundos que compõem o IFIX, aparece o Ourinvest JPP (OUJP11), com 8,85%.

Nenhum dos três está errado: muda a janela e muda o universo de fundos considerado. E os agregadores que ordenam por yield dos últimos 12 meses sem filtro levam o efeito ao extremo, com casos de DY acima de 60% que são apenas o retrato de uma cota que desabou. Antes de comparar dois números, confira sempre três coisas: o período apurado, se o universo é o IFIX ou a bolsa toda, e se a cota caiu no intervalo.

Se o seu critério é retorno total, e não só o provento mensal, a leitura complementar é o ranking dos fundos imobiliários mais rentáveis, que ordena pela valorização somada à distribuição.

Rendimentos em fundos imobiliários

Os rendimentos de FIIs são os ganhos que o cotista recebe ao investir no fundo. A maior parte vem como dividendos mensais, mas também existe o ganho de capital, que ocorre quando a cota é vendida por preço acima do que foi pago, refletindo a valorização do patrimônio do fundo.

No Brasil, os rendimentos distribuídos por FIIs são isentos de Imposto de Renda para pessoa física, desde que o fundo seja negociado em bolsa, tenha pelo menos 50 cotistas e o investidor possua menos de 10% das cotas. A regra seguiu valendo mesmo após a reforma tributária que passou a tributar dividendos de empresas acima de R$ 50 mil por mês, e é um dos principais atrativos da classe frente a CDBs, LCIs e Tesouro Direto.

Vale lembrar que a isenção é só sobre os dividendos. O eventual ganho de capital na venda de cotas continua tributado em 20%, sem faixa de isenção mensal (diferente do que ocorre com ações em vendas até R$ 20.000,00).

Como funcionam os dividendos em fundos imobiliários

Os dividendos em FIIs funcionam de forma parecida com os dividendos pagos por ações, mas com características próprias da natureza imobiliária. Os FIIs reúnem recursos de vários cotistas para aplicar em empreendimentos como lajes corporativas, shoppings, galpões logísticos, hospitais e residências, ou em títulos de renda fixa lastreados no setor, como Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI).

Cálculo e distribuição de dividendos

O cálculo da distribuição passa pela análise do lucro do fundo e sua posterior divisão entre os cotistas. As etapas:

  1. Contabilizar as receitas do fundo:
    • Aluguéis: principal fonte de receita, vinda dos imóveis locados.
    • Venda de imóveis: ganhos com a alienação de propriedades.
    • Receitas financeiras: rendimentos de CRIs e outros títulos atrelados ao setor.
    • Outras receitas: estacionamento, administração predial e similares.
  2. Contabilizar as despesas do fundo:
    • Taxa de administração: remuneração da gestora.
    • Taxa de performance: quando prevista no regulamento.
    • Despesas operacionais: condomínio, IPTU, manutenção, seguros.
    • Outras despesas: jurídico, auditoria e custos regulatórios.
  3. Apurar o lucro líquido: receitas menos despesas no semestre de referência.
  4. Descontar a reserva de contingência: recursos retidos para imprevistos e capex futuro.
  5. Aplicar o piso de 95% de distribuição: pela legislação, FIIs devem distribuir no mínimo 95% do lucro líquido semestral.
  6. Dividir pelo número de cotas em circulação: o resultado é o valor de dividendo por cota.

Período de pagamento

A periodicidade de pagamento varia conforme o regulamento de cada fundo, mas a maioria dos FIIs distribui mensalmente. É essa frequência que torna a classe atrativa para quem busca uma renda complementar parecida com um salário extra. Alguns fundos pagam trimestralmente, semestralmente ou anualmente, embora seja menos comum.

As datas importam para quem opera cotas no curto prazo. A data com é o último pregão em que o investidor com cotas em carteira tem direito ao provento; a data ex é o pregão seguinte, em que a cota passa a ser negociada sem o dividendo. O pagamento costuma ocorrer até o décimo dia útil do mês seguinte. Por exemplo: comprou KIVO11 até a data com de julho, recebe em agosto; comprou na data ex ou depois, só recebe no mês posterior.

Como avaliar fundos imobiliários pelo Dividend Yield

O Dividend Yield indica o percentual da cota que o investidor recebe em dividendos no período. Se o DY de 12 meses é 9%, significa que, mantida a distribuição, o fundo paga 9% do valor atual da cota em proventos por ano. Calcule somando os dividendos do período e dividindo pelo preço atual da cota.

Olhar só para o DY não basta. É preciso checar a vacância física e financeira, a qualidade dos inquilinos, a duration dos CRIs (no caso dos FIIs de papel), o histórico de distribuição e a relação entre preço da cota e valor patrimonial (P/VP). Um yield alto pode mascarar fundo com cota caindo ou gestão deteriorando o patrimônio.

Compare sempre o DY do fundo com a média do segmento (papel, tijolo, multiclasse ou fundo de fundos). Comparar um FII de recebíveis com um shopping center distorce a leitura. E se a sua carteira de renda já tem exposição concentrada no Brasil, vale olhar as melhores ações americanas que pagam dividendos para diluir o risco de país e de moeda.

Veredito sobre os FIIs com maiores dividendos

O ranking de dividendos segue dominado por FIIs de papel, com o KIVO11 na liderança, mas esse desenho nasceu de um ciclo de juros que já começou a virar. Com a Selic em queda, quem montar a carteira só olhando o yield do primeiro semestre corre o risco de comprar o topo do ciclo errado. Combine yield, consistência da distribuição e qualidade da carteira, diversifique entre papel, tijolo e fundo de fundos, e revise a alocação a cada corte do Copom.

Perguntas Frequentes sobre FIIs com maiores dividendos

Fontes consultadas:

  • Banco Central do Brasil, taxa Selic definida pelo Copom e série do IPCA acumulado em 12 meses.
  • IBGE, Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo.
  • Grana Capital, levantamento de dividend yield acumulado dos fundos imobiliários.