Yuan digital: a criptomoeda do Banco Central da China

O furor das criptomoedas levou milhões de pessoas ao redor do mundo a criar suas carteiras para fazer uso desta tecnologia inovadora e revolucionária.

Com o tempo, a “moda” chegou aos governos, que viram nas criptomoedas uma maneira de modernizar suas operações e aproveitar a tecnologia a seu favor.

No entanto, as criptomoedas emitidas pelos governos são diametralmente opostas ao Bitcoin e Ethereum, criptomoedas de uso proibido na China.

Embora muitos anúncios queiram convencer as pessoas do contrário, suas características inatas as separam totalmente das premissas de descentralização e autossuficiência que sustentam as bases do bitcoin.

O que é o Yuan Digital?

O yuan digital é uma CBDC, sigla em inglês para Central Bank Digital Currency (“moeda digital do Banco Central”). Basicamente, é uma moeda digital baseada em criptografia e em redes blockchain cuja principal qualidade é sua emissão por uma entidade monetária governamental.

Definição do Yuan Digital e suas características

O yuan digital, conhecido originalmente como DCEP (Digital Currency Electronic Payment), é uma forma de moeda digital respaldada e controlada pelo Banco Popular da China (PBOC), o banco central do país. Portanto, estamos falando de uma criptomoeda altamente centralizada.

O yuan digital está sob o controle total do governo chinês, o que significa que o Banco Popular da China tem a capacidade de rastrear todas as transações realizadas com yuans digitais e de regular sua circulação. Esta centralização permite ao governo monitorar e regular a economia de maneira mais eficaz.

Outra característica do yuan digital é que ele está respaldado pelas reservas do Banco Popular da China, o que significa que seu valor está vinculado às reservas de moedas estrangeiras e outros ativos mantidos pelo banco central. Ele foi projetado para ser compatível com os sistemas de pagamento existentes na China; pode ser usado em lojas, restaurantes e outros estabelecimentos comerciais.

Diferenças entre o Yuan Digital e outras criptomoedas

Agora que exploramos as características do yuan digital, é importante destacar as principais diferenças entre esta moeda digital emitida pelo Banco Central da China e as criptomoedas tradicionais, como Bitcoin e Ethereum.

Um dos contrastes mais notáveis é a centralização versus a descentralização. Como dissemos, o yuan digital é apoiado e controlado pelo governo chinês através do Banco Popular da China. Em contraste, criptomoedas como o Bitcoin são baseadas na descentralização, pois operam em uma rede de nós distribuídos sem uma entidade central de controle. Isso tem implicações em termos de quem emite e regula a moeda.

Outra diferença é que o yuan digital é apoiado pelas reservas do Banco Central da China e outros ativos financeiros, o que lhe confere um valor intrínseco. Por outro lado, a maioria das criptomoedas, incluindo o Bitcoin, não são apoiadas por nenhum ativo físico e seu valor é baseado na oferta e demanda do mercado.

O yuan digital permite ao governo chinês rastrear todas as transações e regular sua circulação, o que proporciona um alto grau de controle governamental. Em contraste, as criptomoedas oferecem aos usuários um maior grau de autonomia e privacidade, pois as transações são pseudônimas e não estão sujeitas à supervisão de uma entidade central.

Contudo, a favor da CBDC chinesa, podemos dizer que o yuan digital se integra com os sistemas de pagamento existentes na China, como WeChat e AliPay, o que facilita seu uso no dia a dia. Por outro lado, as criptomoedas muitas vezes requerem uma infraestrutura separada e não são tão amplamente aceitas em transações cotidianas.

Por que o Banco Central da China criou o Yuan Digital?

Agora que você já sabe o que é o yuan digital, pode estar se perguntando por que o governo de um país tão desenvolvido como a China, uma das principais economias do mundo, trabalha para ter sua própria CBDC.

As razões que deram origem a esta nova moeda digital são várias. A seguir, vamos aprofundar nas principais.


Razões por trás do lançamento do Yuan Digital

O lançamento do yuan digital pelo Banco Popular da China responde a uma série de razões estratégicas e econômicas.

Um dos principais objetivos do yuan digital é modernizar o sistema de pagamentos na China. O yuan digital oferece a capacidade de realizar transações eletrônicas de maneira mais rápida e conveniente do que o dinheiro ou as transações bancárias tradicionais.

Além disso, a China tem uma alta taxa de uso de dinheiro em comparação com muitas economias desenvolvidas. O governo chinês busca reduzir essa dependência do dinheiro e promover formas digitais de pagamento, o que pode aumentar a eficiência econômica e facilitar a supervisão de transações. Este último é um ponto que, como veremos mais adiante neste texto, muitos questionam. O argumento neste sentido é que ajuda a prevenir atividades ilícitas, como lavagem de dinheiro e evasão fiscal.

O yuan digital é também um bastião na competição com criptomoedas privadas. O aumento das criptomoedas privadas, como as tão populares stablecoins (com as principais delas respaldadas por dólares americanos, como USDT e USDC), levantou preocupações na China sobre o controle das transações e a soberania financeira. O yuan digital surge como uma resposta a essas preocupações, já que é uma moeda digital respaldada pelo governo chinês que compete com as iniciativas privadas.

Por outro lado, há uma questão ligada ao comércio internacional. A China é um dos principais atores no comércio internacional. O yuan digital surge como uma ferramenta para facilitar e simplificar as transações comerciais internacionais, embora claramente dependa da aceitação de outros países desta moeda digital, um passo que ainda não foi dado.

Em outubro de 2023, o governo chinês informou que pagou um milhão de barris de petróleo a uma empresa não identificada usando seu yuan digital, no que seria uma das transações mais importantes realizadas com esta moeda digital até o momento.

Quais são os benefícios do Yuan Digital para o governo chinês?

O lançamento do yuan digital oferece ao governo chinês uma série de benefícios significativos que respaldam sua implementação e promoção. Esses benefícios estão alinhados com os objetivos estratégicos mencionados anteriormente, e destacam os seguintes:

· Maior controle sobre a economia: o yuan digital permite ao governo chinês ter um controle mais preciso sobre a economia ao rastrear e regular as transações.

· Redução da circulação de dinheiro: a introdução do yuan digital contribui para a diminuição da circulação de dinheiro na economia. Isso pode ter um impacto positivo na segurança e na prevenção de fraudes.

· Potencial para expandir a influência global: a moeda digital chinesa pode servir nas transações internacionais e reduzir a dependência do país de moedas estrangeiras.

· Monitoramento e estatísticas precisas: o governo chinês pode coletar dados precisos sobre transações financeiras através do yuan digital. O lado negativo é que reduz a privacidade financeira das pessoas e promove um controle estatal que pode ser perigoso.

Funcionamento do Yuan Digital

Agora que já temos mais claro o que é o yuan digital e quais são os fundamentos para sua existência, podemos passar a dar detalhes sobre seu funcionamento.

O yuan digital é uma criptomoeda como qualquer outra? Você pode usar qualquer carteira para armazenar este ativo digital? Conheça as respostas para estas e mais perguntas na próxima seção.

Explicação de como funciona o Yuan Digital e sua tecnologia subjacente

O yuan digital é baseado em tecnologia blockchain, que é um registro digital de todas as transações.

Ao contrário das criptomoedas tradicionais, como o Bitcoin, o yuan digital utiliza uma arquitetura de blockchain que não é pública nem descentralizada.

Isso significa que existem múltiplos níveis de nós de validação, desde o Banco Central da China até as instituições financeiras comerciais e os usuários individuais.

Cada um desses níveis desempenha um papel no processamento e na validação das transações.

Quanto à emissão, o Banco Popular da China emite o yuan digital, que é armazenado em uma plataforma suportada por blockchain. Este processo é semelhante à impressão de dinheiro físico, mas em formato digital. Em dezembro de 2022, existiam 13.610 milhões de yuans, de acordo com relatórios oficiais do governo chinês.

Depois, o yuan digital é atribuído às instituições financeiras comerciais, que atuam como intermediárias para distribuir a moeda aos usuários finais. Essas instituições mantêm contas no Banco Central e realizam transações em nome dos usuários.

E como os usuários podem fazer uso desta CBDC? Os habitantes da China podem abrir carteiras digitais apoiadas pelo governo e vinculadas à sua identificação pessoal. Essas carteiras permitem que eles armazenem, transfiram e gastem yuans digitais. Quando um usuário realiza uma transação, ela é registrada na blockchain do yuan digital. A transação é validada por múltiplos nós da rede antes de ser concluída.

Em relação à segurança, os desenvolvedores do yuan digital afirmam usar técnicas avançadas de criptografia para proteger as transações e a privacidade dos usuários.

Como o Yuan Digital pode ser utilizado?

O yuan digital foi projetado para ser versátil e fácil de usar em uma ampla variedade de cenários. O primeiro caso de uso, o mais comum, é fazer pagamentos diários em lojas e restaurantes. A transação é realizada através de uma carteira digital vinculada à identificação do usuário, que pode escanear um código QR ou usar outras tecnologias para completar a compra de bens e serviços.wechat

Por outro lado, pode ser usado para compras online, o que inclui a aquisição de produtos em sites de comércio eletrônico e a assinatura de serviços. Além disso, é possível fazer transferências de dinheiro entre pessoas usando o yuan digital como método de pagamento.

Também desempenha um papel no acesso a serviços governamentais na China, como o pagamento de impostos, multas e serviços públicos.

Isso agiliza os processos administrativos e facilita a interação com as autoridades locais. Até mesmo existem cidades, como Changshu, que já pagam seus funcionários públicos usando esta moeda digital.

Além do uso já mencionado no comércio internacional, ainda em estágios de desenvolvimento e adoção precoce, outros usos minoritários podem ser feitos, como o envio de remessas ou a acumulação do yuan digital como forma de poupança.

Impacto do Yuan Digital na economia global

Como você provavelmente sabe, a China tem uma das economias mais fortes e robustas do mundo. Portanto, qualquer modificação ou inovação em seu sistema econômico tem chances de afetar a economia global.

A seguir, veremos como o yuan digital pode afetar o sistema financeiro global, tanto positiva quanto negativamente.

Como o yuan digital afeta o sistema financeiro global?

No último tempo, tanto o yuan físico quanto sua versão digital ganharam mais aceitação como uma moeda de troca e reserva, o que desafia a supremacia do dólar americano e do euro. Claro, essa redução na dependência do dólar americano como moeda de referência é uma mudança significativa.

A adoção do yuan digital também tem estimulado a competição no campo das finanças digitais. Por exemplo, abriu o caminho para outras CBDC ainda em desenvolvimento, como as do Brasil, Peru, Rússia, Japão e possivelmente Argentina no futuro. Nenhum país quer ficar de fora da “digitalização” e “modernização” que as criptomoedas implicam, embora as CBDC restrinjam as principais virtudes que esses criptoativos oferecem.China e Estados Unidos são os países com maior produto interno bruto (GDP, em inglês).

Este desenvolvimento tecnológico pode vir a impactar o comércio internacional no futuro. Para isso, os países emissores e gestores dessas moedas digitais terão que trabalhar na interoperabilidade dos ativos e traçar acordos para seu uso em transações transfronteiriças.

Quais riscos o yuan digital apresenta para outros países?

A introdução do yuan digital pela China não está isenta de riscos e preocupações para outros países. À medida que esta moeda digital ganha terreno, vários riscos para a economia global e as relações internacionais são levantados.

Para os países que competem diretamente com a China comercialmente, uma das principais ameaças é uma maior internacionalização do yuan chinês, com uma respectiva diminuição da dependência do dólar americano como moeda de referência. Isso poderia minar a estabilidade de grande parte do sistema financeiro global e, claramente, também a influência dos Estados Unidos na economia mundial.

Por outro lado, o yuan digital (e seu sucesso ou fracasso) pode influenciar as regulamentações sobre criptomoedas em outros países. A China lidera a postura de “as criptomoedas serão controladas pelo Estado ou, caso contrário, não serão”. Outros países com estreitos laços comerciais com o gigante da Ásia poderiam ser influenciados a seguir o mesmo caminho. Como visto na imagem abaixo, a Associação de Nações do Sudeste Asiático é o principal parceiro comercial da China no mundo, mas também a União Europeia é um parceiro importante.

Por último, o uso do yuan digital no comércio internacional apresenta desafios em termos de supervisão financeira e conformidade regulatória. Em outras palavras, se a China quiser promover o uso de seu CBDC no comércio internacional, certamente terá que se adaptar às normas que regulam esse mercado.

Qual futuro espera o yuan digital?

Como sempre dizemos, é impossível saber com certeza o que acontecerá com uma criptomoeda ou outro ativo no futuro. No entanto, podemos analisar certos fatores que influenciam essa evolução. A seguir, propomos revisar alguns deles.

Perspectivas e previsões para o futuro do yuan digital

O futuro do yuan digital depende de vários fatores, mas os principais são seu desenvolvimento e adoção.

Em termos de desenvolvimento, o yuan digital (e as CBDCs em geral) costumam receber críticas porque permitem aos governos um controle irrestrito em matéria financeira. Assim, por exemplo, o Estado poderia decidir congelar seus fundos em uma carteira ou proibir que você receba dinheiro nela.

De fato, já estão sendo observadas inovações que são tão impressionantes quanto alarmantes. O aplicativo de pagamentos WeChat mostra às pessoas um radar para localizar indivíduos “arriscados” ou com baixa pontuação de crédito. Dessa forma, argumentam, podem evitar fazer transações com eles.

Quanto à adoção, mencionamos antes a integração do yuan digital com WeChat e AliPay, dois aplicativos com milhões de usuários na China. A partir daí, é apenas uma questão de tempo para que a CBDC chegue a mais e mais pessoas nesse país.

Como o Yuan Digital poderia evoluir nos próximos anos?

Levando em conta o mencionado no ponto anterior, o futuro do yuan digital é uma questão de grande interesse e especulação, e sua evolução nos próximos anos poderia ter um impacto significativo na economia não apenas da China, mas também em outros países.

A internacionalização é um ponto chave neste caminho, e a já mencionada adoção também. À medida que as aplicações do yuan digital se desenvolvam e diversifiquem, é possível que vejamos um aumento em seu uso em uma variedade de situações, como investimentos, poupança, pagamentos transfronteiriços e mais.

A inovação tecnológica também será fundamental. A tecnologia subjacente do yuan digital, baseada em blockchain e múltiplas cadeias de blocos, poderia continuar evoluindo. Por exemplo, poderia ser importante que a rede na qual as transações são registradas, uma rede privada, avance em termos de sua transparência e confiabilidade, para se aproximar um pouco mais do objetivo final das criptomoedas. Caso contrário, continuará sendo considerada como uma moeda digital mais, embora em vez de pertencer a uma empresa privada seria uma iniciativa estatal.

Por outro lado, o desenvolvimento de novos serviços financeiros a partir do yuan digital pode ser muito proveitoso para os cidadãos da China. Certamente, isso exigirá a criação de regulamentos e normas para garantir a segurança e a estabilidade financeira.

O que implica a adoção do yuan digital?

Além da perspectiva governamental, é propício analisar o que o yuan digital tem a oferecer aos milhões de usuários a que se destina.

Para os consumidores, o yuan digital oferece a vantagem da facilidade de uso no dia a dia. Pagamentos podem ser feitos, compras online e transferências de dinheiro de maneira rápida e simples através de carteiras digitais.

A adoção do yuan digital pode levar a uma diminuição na dependência do dinheiro físico. Isso pode tornar as transações mais seguras e eficientes, ao mesmo tempo que reduz a necessidade de carregar dinheiro físico. No entanto, como enfatizado neste artigo, reduz quase ao mínimo a privacidade das pessoas em relação ao uso de seu dinheiro; todas as informações sobre as transações serão acessíveis ao Estado.

Por outro lado, os consumidores podem considerar usar o yuan digital como uma forma de investimento ou poupança, desde que tenham acesso a esta moeda digital, reservada para residentes da China que tenham aprovação para a criação de uma carteira compatível. Lembre-se, novamente, que as CBDCs não são universais e abertas a todos como Bitcoin ou Ethereum, mas o Estado pode decidir a seu critério quem usa esses criptoativos.

Se você mora na China e confia na moeda do país em comparação com outros possíveis investimentos, ou mesmo se deseja diversificar seu portfólio de investimentos, a versão digital do yuan pode ser uma opção a considerar.

Quais mudanças podem surgir no mercado de criptomoedas?

 

A chegada das moedas digitais do banco central (CBDC), como o yuan digital, pode ter um impacto significativo no mercado de criptomoedas em vários aspectos.

Em primeiro lugar, as CBDCs podem competir diretamente com criptomoedas privadas, como Bitcoin e outras altcoins. Os usuários podem preferir uma moeda digital apoiada pelo governo em vez de criptomoedas descentralizadas. Isso cria uma competição de oferta e demanda que, como em todos os mercados, pode afetar a adoção e o valor em ambos os lados.

Além disso, o aumento das CBDCs pode levar a uma maior regulamentação e supervisão das criptomoedas em geral. É quase uma questão lógica, os Estados buscarão que as pessoas usem sua criptomoeda, e recorrerão às leis para inclinar a balança neste sentido.

Finalmente, em algo que as CBDCs podem influenciar positivamente é a educação e consciência financeira. Compreender como funcionam essas moedas digitais e outros ativos do sistema financeiro (tradicional ou moderno, com as criptomoedas à frente) é essencial, especialmente se focado desde instituições educacionais e durante a juventude.

H2: O que outras nações podem aprender com o yuan digital?

Ao ser um dos primeiros projetos de CBDC no mundo, realizado por uma potência econômica como a China, muitos países prestam atenção ao que acontece com esta inovação tecnológica para o sistema financeiro do país e seu uso internacional.

  • Lições que outras nações podem aprender com a abordagem da China para a criptomoeda e a tecnologia blockchain

Desde sempre, mas principalmente no século XXI, a China demonstrou uma capacidade impressionante para a inovação tecnológica, e isso se aplica recentemente no desenvolvimento no espaço das criptomoedas e da tecnologia blockchain. Outras nações podem aprender a importância de promover a inovação em tecnologia financeira e de apoiar o desenvolvimento de soluções avançadas neste campo.

Da mesma forma, a implementação bem-sucedida do yuan digital na China poderia servir de exemplo da viabilidade das moedas digitais apoiadas por um banco central. Já sabemos que outras nações consideram desenvolver suas próprias CBDCs ou já estão fazendo isso, e outras mais poderiam se juntar tendo a China como referência.

No entanto, também há um par de lições negativas que podem ser tiradas da implementação do yuan digital. A primeira delas tem a ver com um controle governamental extensivo.

A China —e outros governos também— podem exercer um controle significativo sobre as transações financeiras por meio das CBDCs. Isso levanta preocupações sobre a privacidade e a liberdade financeira dos cidadãos. Outras nações deveriam equilibrar a inovação tecnológica com a proteção dos direitos individuais e a privacidade.

Paralelamente, surgem novos riscos sobre a vigilância e supervisão excessiva dos cidadãos. Com as CBDCs e seguindo o rastro das transações que um usuário faz, os governos podem saber não apenas os hábitos de consumo, mas também a localização exata das pessoas em todos os momentos.

Conclusão

O que podemos concluir de tudo o que foi explicado neste artigo é que, como diz o ditado, “nem tudo que reluz é ouro”. É verdade que as CBDCs têm vantagens importantes para o Estado (prevenção de crimes e maior transparência sobre os movimentos financeiros dentro de seu território) e para os usuários (facilidade e agilidade nos pagamentos e integração de muitas contas em uma única carteira, por exemplo).

No entanto, é preciso saber distingui-las dos valores de descentralização e liberdade que as criptomoedas originais, como o Bitcoin, promovem. As CBDCs não cumprem com esses princípios, e de fato, representam um elemento a mais de controle por parte dos governos.

Portanto, da próxima vez que ouvir falar sobre uma CBDC, tenha em mente esses “red flags” ou bandeiras vermelhas, como os jovens dizem hoje em dia. Eles podem ser um instrumento valioso, mas sim ou sim, os cidadãos devem ter outras alternativas para usar e dispor de seu dinheiro à vontade.

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