O que é um repo e como funciona a operação compromissada

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"Repo" é a abreviação de "repurchase agreement", o acordo de recompra, e no Brasil ele atende por outro nome: operação compromissada. É um empréstimo de curtíssimo prazo, quase sempre de um dia útil, em que uma parte vende um título com o compromisso de recomprá-lo em data e preço já combinados.
Quem vende obtém liquidez na hora. Quem compra fica com o título como garantia e recebe juros no resgate. É por esse canal que o Banco Central do Brasil ajusta o dinheiro em circulação todos os dias e mantém a taxa de juros efetiva perto da meta.
Pontos-chave
- Repo é acordo de recompra com data e preço fixos.
- No Brasil, chama-se operação compromissada.
- Prazo típico: um dia útil.
- A garantia é o título dado em lastro.
Características do Repo
Vejamos as características desta operação de bolsa
| Características das REPO |
|---|
As operações de repo são normalmente realizadas com títulos especialmente de dívida pública como são os bônus, letras e obrigações do estado |
| O pacto de recompra é realizado sob uma taxa de juros determinada pela qual o investidor receberá seu dinheiro mais um benefício e este dependerá das taxas de juros da dívida pública |
| É uma ferramenta de política monetária dos bancos centrais, através da qual o investidor fornece um empréstimo à instituição financeira, sob a garantia de um título de dívida pública |
| O objetivo é geralmente a obtenção de liquidez a curto prazo pelos bancos |
Um repo é como ir a uma casa de penhores e conceder ao cliente um empréstimo ficando com algo que lhe pertence. Ao contrário deste exemplo, via um repo, a "casa de penhores" ficará com um ativo de dívida pública e haverá um pacto de recompra que o banco cumprirá.
Como o repo funciona no Brasil: as operações compromissadas
No mercado brasileiro, o repo aparece sob o nome de operação compromissada, e é o principal instrumento de mercado aberto do Banco Central. O lastro são títulos públicos federais, e a maior parte dos contratos é overnight, com prazo de um único dia útil.
A mecânica é a mesma do repo internacional, com uma função extra: é por meio dessas operações que o Banco Central tira ou injeta dinheiro no sistema bancário para que a taxa de juros efetiva fique perto da meta da Selic definida pelo Copom.
Quando há excesso de dinheiro em circulação, o Banco Central vende títulos com compromisso de recompra e retira liquidez do mercado. Quando falta, faz o movimento inverso. Os leilões são diários e as estatísticas saem nas notas de imprensa do mercado aberto.
Para o investidor pessoa física, bancos e corretoras também oferecem compromissadas como aplicação de curto prazo. Aí a pergunta que decide o risco é uma só: qual é o lastro? Com título público federal, a garantia é um papel do Tesouro Nacional; com lastro privado, o risco é o do emissor daquele papel.
Tipos de repo
Os repos são distinguidos conforme a sua duração, ao poderem ser de um dia a vários meses.
Dependendo de quem é o seu guardião pode ser:
- Bilaterais: o banco ou instituição financeira que oferece o repo é o guardião do mesmo. Só é aceito pelos clientes, quando o banco é sólido e de alta confiança.
- Trilaterais: existe uma terceira parte neutra que guarda o repo. São os mais utilizados hoje em dia.
Outro tipo de Repos:
- Repo com outros ativos: nestes repos, o contrato de recompra é realizado em vez de títulos de dívida fixa com outros ativos como ações, hipotecas ou outros tipos de obrigações.
- Repo inverso: é um contrato de repo do ponto de vista do investidor. Na mesma operação, uma das partes chamará repo e a outra parte chamará repo inverso.
Vantagens do repo
Seu risco é baixo quando o lastro é título público, já que enquanto emprestamos dinheiro ao banco somos proprietários do papel dado em garantia. Em troca dessa segurança, os retornos não são altos.
Quem busca renda maior e aceita oscilação olha para a outra ponta do espectro, como as melhores ações europeias que pagam dividendos. O repo está no extremo oposto: previsibilidade de prazo e retorno modesto.
Os repos de curto prazo, de dias ou semanas, servem a quem quer aplicar em um ativo muito seguro como a dívida pública sem travar o dinheiro por anos, e com a data de resgate conhecida desde o começo, independentemente das oscilações que os títulos tenham no mercado.
Função desta operação financeira
O Repo realiza três funções básicas fundamentais para muitas outras funções do mercado:
- Permite a uma das partes investir dinheiro e ganhar juros sobre esse dinheiro, com um bem entregue como garantia. A entidade contraparte pode pedir dinheiro emprestado para financiar uma posição longa no mesmo ativo.
- Outra parte pode obter um retorno emprestando um ativo que está em demanda em condições favoráveis. A entidade contraparte pode pedir emprestado o mesmo ativo para cobrir uma posição curta.
- Para os credores de dinheiro em espécie (compradores repo), o repo oferece um investimento seguro porque:
- O comprador recebe garantias para cobrir seu risco de crédito do vendedor.
- O comprador pode diversificar seu risco de crédito adotando uma garantia real emitida por um terceiro cujo risco de crédito não está correlacionado com o risco de crédito do vendedor.
Pode reduzir o risco de crédito derivado de empréstimos, mas também pode mitigar o risco de liquidez. Pode atender a qualquer necessidade imprevista de liquidez durante a vida do repo vendendo na garantia de um terceiro, seja por outro repo ou uma venda direta (que, claro, depois terão que comprar o mesmo tipo de garantia de volta para voltar ao repo contraparte no final da cessão temporária).
Nos Estados Unidos o Federal Reserve opera no mesmo formato, e as mesas de tesouraria acompanham esses leilões junto com o calendário da bolsa americana, porque o fluxo de liquidez e os dias de negociação andam juntos.
Como investir em Repos?
É necessário ter conta em um banco ou corretora para aplicar em um repo. Uma das vantagens em relação a outros derivativos é que o risco de mercado é essencialmente nulo: o prazo e o preço de recompra já estão definidos no contrato. Em troca, o retorno também é modesto.
As recompras de poucos dias ou semanas são mais adequadas a quem quer aplicar em um ativo muito seguro como os títulos públicos, sem dedicar prazos longos e podendo resgatar em data certa, sem depender das oscilações do mercado.
Antes de aplicar, peça ao gerente ou à corretora qual é o lastro da compromissada e qual a taxa efetiva no prazo. Se a ideia é apenas proteger o caixa de curto prazo, vale comparar com alternativas isentas de imposto de renda, como as melhores LCI e LCA disponíveis no mercado.
Repo ou compromissada: o que olhar antes de aplicar
O repo não é um produto de rentabilidade, é um produto de prazo: você sabe quando recebe e quanto recebe desde o momento da contratação.
Por isso ele resolve bem o caixa de curto prazo e resolve mal um objetivo de longo prazo, onde o retorno modesto cobra seu preço ano após ano. Antes de assinar, confirme com a instituição qual é o lastro da operação e compare a taxa oferecida com as demais aplicações de renda fixa de prazo equivalente.
Perguntas Frequentes sobre o repo
Fontes consultadas:
- Banco Central do Brasil, estatísticas e notas de imprensa do mercado aberto.
- Banco Central do Brasil, séries temporais da meta Selic definida pelo Copom.