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Nos últimos anos, a preocupação com a sustentabilidade tem crescido exponencialmente, impulsionando o desenvolvimento de instrumentos financeiros que incentivem investimentos ambientalmente responsáveis. Nesse contexto, os green bonds, ou títulos verdes, surgiram como uma alternativa atrativa para investidores que desejam alocar seus recursos em projetos sustentáveis. No Brasil, essa modalidade tem ganhado destaque, com um mercado em expansão e oportunidades promissoras.
Existem várias maneiras de investir em green bonds ou títulos verdes:
Ao investir em green bonds, é importante considerar que esses títulos geralmente oferecem retornos ligeiramente menores em comparação com títulos convencionais. Segundo a Octante, um green bond pode pagar até 0,25 ponto percentual a menos do que um título de dívida comum. No entanto, eles oferecem a oportunidade de combinar retorno financeiro com impacto ambiental positivo.
Antes de investir, é crucial avaliar cuidadosamente o emissor, o projeto financiado e os relatórios de impacto ambiental para garantir a transparência e o alinhamento com seus objetivos de investimento sustentável.
Os chamados “green bonds” são títulos verdes emitidos por empresas e governos e normalmente estão ligadas ao cumprimento de metas ambientais pelos emissores, de tal maneira que configuram uma ótima opção para os investidores que buscam rentabilidade e sustentabilidade.
Os governos também emitem este tipo de ativo e, no caso do Brasil, houve muito avanço, após a emissão de US$2 bi em junho de 2024 após a COP 28 realizada em Dubai, pagando juros de 6,375% ao ano (à epoca). Neste caso, os projetos que o governo foca são mais relacionados à economia circular, saneamento básico, transportes limpos e energias renováveis.
Este mercado de ativos sustentáveis desenvolveu-se principalmente após a pandemia e atrai muitos investidores, os quais acompanham de perto o cumprimento das metas ambientais propostas pelos emissores, o que é também respaldado por agências certificadoras.
Projetos financiados por green bonds incluem:
Aspecto | Green Bonds | Títulos Tradicionais | |||
Retorno | Geralmente oferecem taxas de juros ligeiramente menores devido à alta demanda por investimentos sustentáveis. | Podem oferecer taxas de juros mais altas, dependendo do emissor e do mercado. | |||
Risco | Sujeitos aos mesmos riscos de crédito e mercado, mas com menor risco reputacional devido ao compromisso com práticas sustentáveis. | Também sujeitos a riscos de crédito e mercado, sem o mesmo foco em sustentabilidade. | |||
Transparência | Exigem maior transparência e relatórios periódicos sobre o uso dos fundos e impacto ambiental. | Menos exigências de transparência em relação ao uso dos recursos captados. | |||
Diversificação | Permitem diversificação de portfólio, especialmente para investidores focados em sustentabilidade. | Oferecem diversificação, mas sem o foco em impactos ambientais positivos. | |||
Regulamentação | Devem seguir diretrizes específicas, como os Green Bond Principles (GBP), promovendo práticas responsáveis. | Regidos por regulamentações padrão do mercado financeiro, sem foco específico em sustentabilidade. |
Assim como os outros ativos, é necessário realizar uma análise adequada das componentes do título, tais como o preço, os fundamentos, o setor em questão e adicionalmente as políticas ESG da entidade emissora, de tal forma que seja mais compreensível a capacidade de cumprir com as obrigações. Além disso, os títulos de dívida verde estão igualmente sujeitos ao risco de crédito e ao risco de mercado. Em termos de regulação, os green bonds precisam seguir diretrizes específicas, geralmente alinhadas aos Green Bond Principles (GBP), estabelecidos pela International Capital Market Association (ICMA).
O setor de energia renovável é um dos principais beneficiários dos green bonds no Brasil, especialmente com investimentos em eólica e solar. Além disso, empresas do agronegócio, indústrias e instituições financeiras têm aderido a essa modalidade como forma de captar recursos a custos competitivos.
Um marco importante foi a emissão de green bonds por empresas como o BNDES, Banco do Brasil, e companhias do setor de papel e celulose, que captaram bilhões de reais para financiar projetos sustentáveis. Esses títulos têm atraído não apenas investidores locais, mas também estrangeiros interessados em apoiar a economia verde brasileira.
Com a forte tendência de investimento em políticas ESG (Environmental, Social and Governance) e de sustentabilidade, este tipo de ativos é uma ótima opção e que terá um futuro muito interessante para os investidores.
Até fevereiro de 2021, o Brasil acumulou um total de US$9 bilhões em emissões de títulos verdes, representando 84% do mercado de dívida sustentável do país. Em 2021, foram realizadas 107 emissões de green bonds, movimentando R$84 bilhões, quase três vezes mais que os R$30 bilhões emitidos em 2020. Em setembro de 2023, o governo brasileiro anunciou a intenção de emitir green bonds no mercado internacional, com o objetivo de captar até US$2 bilhões para financiar projetos sustentáveis.
Com o compromisso do Brasil de alcançar a neutralidade climática até 2050, as perspectivas para o mercado de green bonds são promissoras, indicando um aumento significativo nas emissões nos próximos anos.
Os green bonds oferecem diversos benefícios tanto para investidores quanto para emissores, incluindo:
O mercado de green bonds no Brasil apresenta um potencial significativo de crescimento, impulsionado pelo compromisso do país com a sustentabilidade e a crescente demanda por investimentos responsáveis. Embora ainda represente uma pequena parcela do mercado global, o Brasil tem se destacado na América Latina e demonstra um rápido desenvolvimento nesse setor. Para investidores, os green bonds oferecem uma oportunidade de aliar retorno financeiro com impacto ambiental positivo, contribuindo para a transição para uma economia mais sustentável.
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