Calote no rotativo do cartão bate recorde de 66,15%; juros vão a 444,89% ao ano

O rotativo do cartão cobrou 444,89% ao ano em agosto, e 66,15% do saldo tem mais de 90 dias de atraso, recorde do BC. Veja quanto custa e como sair.
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O calote no rotativo do cartão de crédito bateu recorde em agosto: 66,15% do saldo devedor estava com mais de 90 dias de atraso, o maior percentual da série do Banco Central, iniciada em 2011. No mesmo mês, a taxa média de juros do rotativo para pessoas físicas subiu para 444,89% ao ano, e o saldo da modalidade chegou a R$ 96,1 bilhões, também o maior da série.

Pontos-chave

  • 📈 Juros do rotativo: 444,89% ao ano, ou 15,18% ao mês, em agosto
  • 🚨 Inadimplência recorde: 66,15% do saldo com mais de 90 dias de atraso
  • 💳 Saldo recorde: R$ 96,1 bilhões, 21% mais que um ano antes
  • 💰 R$ 1.000 no rotativo viram cerca de R$ 1.152 em um mês
Indicador (pessoas físicas)Julho de 2026Agosto de 2026Agosto de 2025
Juros do cartão rotativo (% ao ano)436,15%444,89%453,64%
Juros do cartão rotativo (% ao mês)15,02%15,18%15,33%
Inadimplência do rotativo (atraso acima de 90 dias)65,55%66,15%60,49%
Saldo do rotativoR$ 91,7 bilhõesR$ 96,1 bilhõesR$ 79,5 bilhões
Juros do cartão parcelado (% ao ano)189,28%192,08%185,14%
Juros do cheque especial (% ao ano)136,97%136,41%138,19%
Juros do crédito pessoal não consignado (% ao ano)110,97%110,22%103,97%

Por que o calote no rotativo bateu recorde?

O rotativo é o crédito que entra em cena quando a fatura não é paga inteira. Por ser automático e caríssimo, costuma ser usado por quem já está com o orçamento apertado, e por isso concentra a pior inadimplência do sistema. Em agosto, o índice subiu 0,6 ponto em relação a julho e 5,66 pontos em 12 meses. O aperto aparece em todo o crédito às famílias: na nota de 29 de setembro, o Banco Central informou que a inadimplência das famílias no crédito livre chegou a 8,0% e que o endividamento atingiu 49,9% da renda em julho.

Com a Selic em 13,75% ao ano, o crédito segue caro em todas as linhas. Para entender como a taxa básica chega ao bolso, veja o nosso guia da Selic e como ela funciona e o histórico de decisões na página da taxa Selic hoje.

Quanto custa deixar a fatura no rotativo?

Com a taxa média de agosto, de 15,18% ao mês, uma dívida de R$ 1.000 vira cerca de R$ 1.152 em 30 dias. Em dois meses, passaria de R$ 1.326 se os juros continuassem correndo. É aqui que entra a regra da Lei 14.690/2023: os juros e os encargos do rotativo e do parcelamento da fatura não podem passar do valor original da dívida. No exemplo, o banco pode cobrar no máximo mais R$ 1.000, ou seja, R$ 2.000 no total.

O teto evita a bola de neve sem fim, mas não torna o rotativo barato: dobrar uma dívida continua sendo o pior negócio possível para o orçamento. Para visualizar como os juros se acumulam mês a mês, use a nossa calculadora de juros compostos; as fórmulas estão explicadas em matemática financeira com exemplos.

O que fazer se você está no rotativo?

A primeira saída é trocar a dívida por uma mais barata. Pelos dados de agosto do Banco Central, o cartão parcelado cobrava em média 192,08% ao ano, o cheque especial 136,41% e o crédito pessoal não consignado 110,22%. Todas são caras, mas custam menos da metade do rotativo. Compare sempre o Custo Efetivo Total da proposta, que soma juros, tarifas e impostos.

Depois, o orçamento. A regra 50/30/20 ajuda a separar gastos fixos, variáveis e o que sobra para quitar dívidas; dá para testar na calculadora de orçamento mensal. Ferramentas simples também ajudam a acompanhar as contas, como mostramos em 6 IAs para organizar suas finanças, e há cursos gratuitos de educação financeira para quem quer aprender o básico.

Vale a pena investir enquanto há dívida no cartão?

Na prática, não. Nos 12 meses até setembro de 2026, o CDI acumulou 14,47%, segundo o Banco Central. Mesmo assim, fica 30 vezes abaixo dos juros do rotativo. Nenhum CDB ou título público compensa uma dívida de 444,89% ao ano. A poupança, que rende 0,5% ao mês mais a TR, fica ainda mais longe, como mostramos no cálculo da poupança em outubro.

A ordem mais segura é quitar a dívida cara, montar uma reserva de emergência em uma aplicação com resgate imediato, como um CDB de liquidez diária que acompanhe o CDI, e só depois buscar rentabilidade. Se quiser uma referência de quanto guardar em cada fase da vida, veja quanto dinheiro ter economizado por idade.

Os números deste texto são das estatísticas de crédito do Banco Central com dados de agosto de 2026, divulgadas em 29 de setembro. A próxima atualização trará os dados de setembro.