Gestão Financeira

Em 2026, quem recebe benefícios do INSS acima de um salário mínimo vai enfrentar um cenário mais desfavorável em relação à reposição da inflação. Enquanto o piso previdenciário segue a política de valorização do salário mínimo, com reajuste que combina INPC e crescimento do PIB de dois anos antes, os benefícios superiores ao mínimo são corrigidos apenas pelo INPC, índice que ficou abaixo do IPCA, considerado a inflação oficial mais ampla do país em 2025.
Na prática, isso significa que aposentados e pensionistas que ganham mais do que um salário mínimo terão um aumento nominal, mas perderão parte do poder de compra ao longo de 2026. Já quem recebe exatamente o piso previdenciário tem garantido um ganho real, ainda que pequeno, graças à fórmula de reajuste do Salário Mínimo 2026: R$ 1.621 (+R$ 103).
Para entender por que há diferença entre quem ganha o mínimo e quem está acima desse valor, é preciso olhar para as regras de correção adotadas pelo governo:
O ponto central é que existem dois índices de preços calculados pelo IBGE: o IPCA, usado como referência oficial de inflação, e o INPC, voltado a famílias com rendimento mais baixo e que serve de base para reajustes previdenciários. Quando o INPC fica abaixo do IPCA, quem recebe acima do mínimo vê seu benefício crescer menos que o custo de vida medido pela inflação oficial.
A partir de 2026, essa diferença de critérios fica ainda mais visível. Quem recebe um salário mínimo tem reajuste baseado em uma combinação que tende a ficar mais próxima, ou até acima, da inflação percebida no dia a dia, pois incorpora o PIB. Já quem recebe acima do mínimo tem aumento limitado ao INPC, que em 2025 foi inferior ao IPCA.
Isso gera uma defasagem acumulada ao longo do tempo. Na prática, o benefício cresce menos que a inflação oficial, e o aposentado consegue comprar menos com o mesmo valor nominal. Com o passar dos anos, a diferença entre o que ele ganhava em termos reais e o que recebe hoje se torna cada vez maior.
Um exemplo citado em debates previdenciários é o de aposentados que se aposentaram com múltiplos de salário mínimo e, com o passar do tempo, viram esse número cair. Há casos de quem começou com algo próximo a cinco salários mínimos e, após sucessivos reajustes menores, hoje recebe o equivalente a três salários mínimos, ilustrando a erosão do poder de compra ao longo dos anos.
Os dois índices são calculados pelo IBGE, mas têm abrangência diferente:
Em 2025, o INPC fechou o ano abaixo do IPCA, o que cria um descompasso em 2026: o custo de vida medido pelo índice oficial avança mais do que o reajuste aplicado aos benefícios superiores ao salário mínimo. Resultado: quem ganha acima do piso perde poder aquisitivo, mesmo recebendo um reajuste nominal.
A diferença entre a inflação oficial e o reajuste dos benefícios pode parecer pequena em termos percentuais, mas pesa no bolso quando aplicada sobre valores altos e acumulada ao longo do tempo. Uma defasagem em torno de 0,36 ponto percentual já é suficiente para causar perda relevante no ano, especialmente para quem está próximo do teto do INSS.
No caso de benefícios no valor máximo, a estimativa é de uma perda anual de cerca de R$ 350 em poder de compra apenas em 2026. Isso ocorre porque o reajuste não acompanha totalmente o aumento do custo de vida, comprimindo o valor real do benefício mesmo quando há aumento nominal.
Para aposentados com renda intermediária, por exemplo, em torno de 1,5 ou 2 salários mínimos, o efeito também é percetível: os reajustes sucessivamente menores do que a inflação oficial vão corroendo a capacidade de pagamento de despesas básicas, como alimentação, saúde e moradia. Para entender melhor como funciona a contribuição que gerou esse benefício, consulte nossa Tabela INSS 2026: Alíquotas e Cálculo Completo.
A forma como os benefícios acima do salário mínimo são corrigidos é alvo de críticas de especialistas e representantes de aposentados. A principal queixa é que o modelo atual leva, gradualmente, à aproximação desses benefícios do piso previdenciário, à medida que o salário mínimo é valorizado com PIB e INPC, enquanto os demais são ajustados só pelo INPC.
Nesse contexto, há propostas em discussão para recompor as perdas acumuladas ao longo dos anos. Uma das ideias é criar um índice de correção previdenciária adicional, aplicado de forma progressiva, com o objetivo de recuperar, em alguns anos, o valor real que os benefícios tinham na data da concessão.
A lógica dessas propostas não é fazer toda a recomposição de uma vez, mas diluí-la em um horizonte de médio prazo, por exemplo, cinco anos, para que o impacto fiscal seja mais administrável. Assim, os aposentados teriam, pouco a pouco, os seus benefícios aproximados do poder de compra original, sem necessidade de reajustes abruptos em um único exercício.
Embora o segurado não tenha controle sobre a fórmula oficial de reajuste, existem algumas atitudes que podem ajudar a lidar melhor com esse contexto de perda de poder aquisitivo:
Para quem está prestes a se aposentar, entender essas regras também é importante para planejar melhor a data de concessão do benefício e a estratégia de contribuição ao longo da vida, buscando reduzir o impacto das perdas reais no longo prazo. Saiba mais sobre como planejar a sua declaração anual na IRPF 2026: datas, tabela atualizada e como declarar sem erros.