5 dicas para escolher um corretor e não cair em uma fraude financeira

Escolher um corretor com quem começar a operar na bolsa não é uma tarefa fácil. No mundo do investimento, onde são famosos alguns casos de fraudes e esquemas financeiros que fizeram muitos usuários perderem suas economias em todo o mundo. Como podemos evitar cair em um golpe ao escolher um corretor? A seguir, damos as chaves para fazer isso.

No dia a dia do nosso trabalho na Rankia, um dos aspectos mais complicados é o fato de receber e-mails, telefonemas ou mensagens no fórum de pessoas preocupadas, que investiram uma quantidade mais ou menos relevante em uma entidade e de repente descobriram que esta não está regulamentada, ou que foram vítimas de um golpe. Apesar do que possa parecer inicialmente, isso é algo bastante comum.

Para nós é difícil, já que muitas vezes a única coisa que podemos fazer é indicar a essa pessoa como recorrer à via penal ou ao regulador do país de onde a suposta empresa está operando, para tentar recuperar algum do seu dinheiro.

Como sempre é melhor prevenir do que remediar, na Rankia você pode encontrar uma infinidade de webinars, cursos, e artigos com os quais você pode aprender e se formar antes de investir. Além disso, com este artigo esclareceremos os 5 pontos que devemos considerar ao escolher um corretor para operar.

1- Regulação, Regulação e mais Regulação

Pode parecer repetitivo, mas é fundamental que a primeira informação que buscamos de um intermediário ou corretor seja sua regulação. Quando navegamos pelo site do intermediário, a informação relativa à regulação deveríamos encontrar com facilidade. O fato de estar muito escondida ou com referências genéricas deve ser motivo de alerta.

Daremos dois exemplos para entender o anterior:

corretor

Como podemos observar no segundo exemplo, é feita uma menção genérica enganosa. Geralmente, é preciso ter cuidado especial quando, ao pesquisar na web dos reguladores dos países onde opera, não aparece nenhum registro sobre essas empresas.

Outro ponto-chave é como o corretor entra em contato com o investidor. Parece algo de pouca relevância, mas se o intermediário usa técnicas para ligar para o investidor sem que este tenha dado seu consentimento para ter seus dados e não sabe explicar como obteve os mesmos, é um claro sinal de alerta e antes de continuar falando deveríamos consultar nos registros da CVM ou em outros sites confiáveis informações sobre esse intermediário.

Quais regulamentos oferecem mais segurança ao investidor?

Chegando a este ponto, é preciso esclarecer que nos últimos anos o regulador europeu deu passos para as autoridades nacionais unificarem os critérios, e as entidades que obtêm o passaporte europeu de empresas de serviço de investimento cumpram padrões elevados.

  • CVM: A Comissão de Valores Mobiliários é o órgão regulador e supervisor do mercado de valores mobiliários no Brasil. Em seu site oficial, é possível acessar uma vasta gama de informações cruciais para investidores e participantes do mercado, incluindo alertas sobre potenciais fraudes financeiras. No entanto, para encontrar essas informações, é necessário saber navegar adequadamente pelo site. A CVM oferece recursos importantes para o público, tais como:
  • Buscador de entidades de serviço de investimento registradas
  • Alerta sobre entidades
  • Alerta de reguladores internacionais

A nível internacional destacaríamos quatro reguladores que devemos considerar: CNMV, FCA, FINRA, ASIC.

  • CNMV: a Comissão Nacional do Mercado de Valores é o supervisor e regulador do mercado espanhol. Em seu site, podemos encontrar informações valiosas sobre possíveis fraudes financeiras, embora seja necessário saber procurá-las em seu site.
cnmv logo
  • Buscador de entidades de serviço de investimento registradas
  • Entidades advertidas pela CNMV
  • Entidades advertidas por outros reguladores
  • FCA: o regulador britânico, devido à grande presença de empresas de serviços de investimento em Londres, ganhou uma grande importância nos mercados financeiros mundiais. Sua fama de estrito cumprimento normativo faz com que as melhores entidades busquem estar sob seu guarda-chuva. Os links importantes em seu site são os seguintes:
logo FCA
  • Busca de entidades registradas
  • Busca de entidades advertidas e fraudes financeiras
  • O que fazer se fui enganado?
  • ASIC: o regulador australiano é importante principalmente para aqueles intermediários que operam principalmente nos mercados asiáticos, embora cada vez mais estendam sua influência sobre a América Latina e deem os primeiros passos para operar na Europa. Seu site não é tão intuitivo, então deixo o link para o buscador de entidades registradas:
logo ASIC
  • Buscador de entidades registradas
  • FINRA: o regulador norte-americano também é importante principalmente para os investidores que tentam operar com entidades registradas nos EUA. Em seu site, podemos encontrar várias informações, sendo as principais as seguintes
  • Buscador de entidades registradas
  • O que fazer se me sinto enganado ou detecto irregularidades com um corretor?
  • Detector de fraudes

2- Fundos de Garantia de Investimentos

Este é um dos aspectos que mais costumamos ignorar ao escolher um intermediário financeiro ou outro. Os fundos de garantia são entidades criadas visando que em caso de insolvência ou default, os investidores não percam todo o seu investimento.

Essa informação deveríamos poder encontrar facilmente no site do intermediário e se não for assim, também deveria ser motivo de alerta.

Se você quiser conhecer os diferentes fundos de garantia de investimentos e depósitos que existem nos principais países do mundo, você pode consultar a seguinte compilação que elaboramos:

Fundos de Garantia do Investidor: Quem protege seus investimentos no Brasil?

A proteção dos investimentos é assegurada pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para produtos de renda fixa, como depósitos à vista ou a prazo, e pelo Mecanismo de Ressarcimento de Prejuízos (MRP) para operações realizadas em bolsas e mercados organizados, sob supervisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O FGC cobre limites de até R$ 250.000,00 por CPF e por instituição financeira, garantindo segurança aos investidores em caso de falência ou problemas financeiros da instituição. Já o MRP, operado pela BSM Supervisão de Mercados, protege os investidores contra prejuízos decorrentes de falhas ou inadimplências das corretoras, com limites de ressarcimento que podem chegar a R$ 120.000,00 por investidor. Esses mecanismos reforçam a confiança no sistema financeiro brasileiro, promovendo um ambiente de investimento mais seguro e estável.

CONTINUE APRENDENDO: Para aprender mais sobre fundo de garanta leia o nosso artigo Fundos de Garanta do Investidor

3- Alinhamento entre tipo de investidor e tipo de corretor

Nem todos os investidores são iguais, nem operamos com os mesmos produtos, nem temos o mesmo capital; portanto, cada investidor deve procurar o intermediário ou corretor que melhor se adapte ao perfil do investidor.

As características essenciais que devemos considerar são as seguintes:

  • Produtos com os quais se opera: Ações, derivativos, fundos, etc..
  • Frequência da operação: curto, médio ou longo prazo
  • Capital disponível
  • País do intermediário: este ponto é importante devido ao controle de lavagem de dinheiro, aos investidores que operam com intermediários estrangeiros são exigidos uma série de documentação (Modelo D-6, Modelo 720) ou podem surgir problemas com as informações entre o intermediário e a Receita Federal.

4- Comissões

Não menos importante é conhecer a estrutura de comissões e taxas do corretor com o qual operamos. No setor, a tendência é a redução das mesmas devido à alta competição e ao surgimento de novos concorrentes. Mesmo assim, as diferenças de comissões entre um intermediário e outro são muito altas.

As principais comissões que devemos considerar seriam as seguintes:

  • Compra e venda
  • Manutenção e custódia
  • Despesas de mercado
  • Cobrança de dividendos e direitos de subscrição
  • Tempo real
  • Inatividade

5. Ferramentas

Este ponto engloba uma série de características que não devemos ignorar e que podem oferecer valor agregado à nossa operação. As mais destacadas seriam:

  • Atendimento ao cliente: importante que seja em idiomas que dominamos e que os canais de acesso a ela sejam gratuitos
  • Plataformas: é importante que a oferta de plataformas seja variada ou que a oferecida, seja intuitiva e completa
  • Formação: oferta de cursos online, guias, seminários que complementem nosso conhecimento
  • Calendários econômicos, dados históricos, etc

O que faço se suspeito que meu corretor é uma fraude?

Escolher um corretor deve ser tão importante quanto a decisão de onde investir. Neste artigo, vimos os aspectos mais importantes a considerar ao escolher um corretor; mas se você já caiu nas mãos de uma fraude financeira ou seu corretor tem práticas ruins, recomendamos que siga os seguintes passos:

  • Reúna todas as informações disponíveis sobre o corretor e as comunicações com seus agentes
  • Denuncie à CVM através de seu Portal de Comunicação de Infrações.
  • Compartilhe em nosso Tópico de Corretores Não Recomendados, assim você ajudará outras pessoas a não perderem dinheiro com esse tipo de entidade.

Investir é uma arte, como a pintura: façamos isso com os melhores pincéis e telas. Nossas escolhas e conformidade regulatória farão com que o setor seja cada vez mais favorável ao investidor de varejo.

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