Desenrola 3.0: governo vai comprar dívidas com desconto mínimo de 90%; bancos têm até 30/10 para aderir

No Desenrola 3.0, a União compra dívidas abaixo de R$ 10 mil atrasadas há 2 a 4,5 anos com desconto mínimo de 90%. Bancos aderem até 30/10. Veja quem entra.
Desenrola 3.0: dívidas com desconto mínimo de 90%

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Os bancos têm até sexta-feira, 30 de outubro, para informar ao Ministério da Fazenda quantas dívidas atrasadas querem vender à União no Desenrola 3.0. O governo vai comprar essas carteiras com desconto mínimo de 90% e repassar o abatimento a quem deve: uma dívida de R$ 5.000 poderá ser quitada por até R$ 500 à vista, se a União conseguir esse desconto no leilão.

A chamada para os credores foi aberta pela Portaria MF nº 3.127, de 22 de outubro, e segue as regras da Medida Provisória 1.393, de 25 de setembro. Por enquanto, não há nada a fazer do lado do consumidor: a Fazenda avisa que ainda não existe convocação de pessoas físicas para renegociar. Veja quem pode entrar, quanto dá de desconto e quando a renegociação deve começar.

Pontos-chave

  • 💰 União compra dívidas atrasadas com desconto mínimo de 90% e repassa ao devedor.
  • 📋 Entram dívidas de menos de R$ 10 mil, em atraso entre 720 e 1.645 dias.
  • 🏦 Bancos e fundos têm até 30/10 para informar suas carteiras à Fazenda.
  • 📅 Leilão previsto para novembro; a renegociação começa depois, com regras do CMN.

O que é o Desenrola 3.0?

É a terceira fase do programa federal de renegociação de dívidas, criada pela MP 1.393/2026 como uma “modalidade emergencial” para pessoas físicas inadimplentes. A diferença em relação às fases anteriores é que o governo deixa de apenas intermediar acordos entre bancos e devedores: a União compra as carteiras de dívidas em um procedimento competitivo, com deságio mínimo de 90% sobre o valor de face, e o desconto que ela obtiver passa para quem deve.

A MP reserva até R$ 15 bilhões para essas compras e estende o Desenrola Brasil até 30 de junho de 2028. O Banco do Brasil e a Caixa podem atuar como agentes financeiros. Como toda medida provisória, o texto precisa ser aprovado pelo Congresso para virar lei definitiva.

Em entrevista em 21 de outubro, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, estimou que os credores podem oferecer até R$ 90 bilhões em dívidas nesta primeira chamada, segundo a Agência Brasil. Com o desconto mínimo de 90%, a compra de tudo custaria cerca de R$ 9 bilhões.

Quem pode ter a dívida comprada pelo governo?

A MP define quais dívidas podem entrar nas carteiras compradas pela União. O critério é a dívida, e não a renda de quem deve: a MP não traz faixa de renda, e a Fazenda pode criar critérios adicionais de prioridade.

CritérioRegra do Desenrola 3.0
Quem devePessoa física inadimplente (a chamada da Fazenda inclui também dívidas de MEIs)
Valor originalMenos de R$ 10.000
Tempo de atrasoMais de 720 e menos de 1.645 dias, contados em 25/9/2026 (dívidas vencidas, em geral, entre março de 2022 e outubro de 2024)
Tipo de dívidaNesta etapa, dívidas com bancos e financeiras, como cartão de crédito e crédito pessoal
Desconto mínimo90% sobre o valor de face da carteira
Prazo para os credoresAté 30/10/2026 para manifestar interesse e enviar os dados

A MP também permite incluir, mais adiante, outras dívidas que levam o nome para os cadastros de inadimplentes, como contas de serviços públicos e compras no varejo. A Fazenda pode ainda abrir exceções ao valor e ao prazo de atraso.

Quanto dá de desconto para quem deve?

O desconto do devedor acompanha o que a União conseguir no leilão. Pela MP, quem quitar à vista terá um abatimento de até o mesmo percentual obtido pelo governo na compra da carteira. Quem preferir parcelar também terá desconto de até esse percentual, mas pagará juros sobre as parcelas.

Valor original da dívidaÀ vista com 90% de descontoÀ vista com 95% de desconto
R$ 2.000R$ 200R$ 100
R$ 5.000R$ 500R$ 250
R$ 9.000R$ 900R$ 450

Os juros, o número de parcelas e uma eventual entrada ainda serão definidos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para comparar, os juros do rotativo do cartão passam de 400% ao ano, como mostramos em calote no rotativo do cartão bate recorde.

Quando vou poder renegociar?

Ainda não. O calendário tem três etapas:

  • Até 30/10: bancos, securitizadoras e fundos de direitos creditórios (FIDCs) informam à Fazenda as dívidas que aceitam vender.
  • Novembro: leilão em que a União compra as carteiras, que pode ficar para o início de dezembro, segundo o ministro.
  • Depois do leilão: o governo publica as regras e os canais para os devedores, e o CMN define juros e parcelas.

A própria Fazenda diz que, “neste momento, não há convocação às pessoas físicas, às famílias ou aos MEIs para renegociar suas dívidas”. Manifestar interesse também não obriga a União a comprar nenhuma carteira.

Como evitar golpes com o Desenrola?

Programas de renegociação costumam atrair golpistas. Como a fase do consumidor ainda não começou, desconfie de qualquer mensagem que prometa “limpar o nome pelo Desenrola” agora. Não pague boletos nem faça Pix a partir de links recebidos por SMS, WhatsApp ou e-mail, e confira qualquer oferta nos canais oficiais do governo e do seu banco.

O que fazer enquanto o Desenrola 3.0 não começa?

  • Liste o que você deve. Anote credor, valor original e data do atraso para saber se a dívida entra nos critérios.
  • Organize o orçamento. Uma calculadora de orçamento 50/30/20 ajuda a ver quanto cabe numa parcela.
  • Evite novas dívidas caras. Rotativo do cartão e cheque especial são as linhas com os juros mais altos do mercado.
  • Use as datas de pagamento a seu favor. Quem recebe benefícios pode conferir as datas no calendário do INSS e no calendário do Bolsa Família.

Para entender por que os juros do crédito estão altos, veja o que é a Selic e como ela funciona. E, para quem vai receber renda extra no fim do ano, vale ler sobre o 13º dos aposentados e sobre o seguro-desemprego.

Depois de quitar a dívida, o passo seguinte é montar uma reserva para não voltar ao vermelho: aplicações que rendem perto do CDI e têm liquidez diária costumam ser o ponto de partida. Quem tem saldo parado pode conferir as regras de saque do FGTS, e quem quer começar do zero encontra cursos gratuitos de educação financeira e ferramentas de IA para organizar as finanças. Beneficiários do Bolsa Família também podem ver o valor previsto para 2027.

Perguntas frequentes sobre o Desenrola 3.0

Fontes

  • Presidência da República: Medida Provisória nº 1.393, de 25 de setembro de 2026.
  • Ministério da Fazenda: chamamento público da terceira fase da renegociação de dívidas e Portaria MF nº 3.127, de 22 de outubro de 2026.
  • Agência Brasil, “Ministro prevê renegociação de R$ 90 bi em 3ª fase do Desenrola”, 21/10/2026.

Este conteúdo tem caráter informativo. As regras de renegociação ainda dependem de regulamentação do Ministério da Fazenda e do Conselho Monetário Nacional.