Os 10 fundos imobiliários mais rentáveis de 2026

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Índice

Os fundos imobiliários mais rentáveis de 2026 acumulam até 15,57% no ano, enquanto o IFIX cai 0,33% no mesmo período. O RZAT11 lidera, seguido por PORD11 e MCCI11, e a distância entre eles e o índice mostra que, neste ciclo, escolher o fundo certo importou mais do que estar no setor.

Mostramos aqui os 10 FIIs com maiores retornos acumulados em 2026, com base na Quantum Finance, e o que está por trás da performance de cada um: dinâmica de CRIs, redução de vacância e a recuperação setorial de logística e lajes corporativas.

Pontos-chave

  • RZAT11 lidera 2026 com +15,57% acumulado.
  • O IFIX acumula queda de 0,33% no ano.
  • Fundos de papel (CRI) dominam o top 10.
  • Selic em 13,75% mantém a renda fixa competitiva.

Contexto do mercado de FIIs em 2026

O cenário macroeconômico de 2026 combina desafios e oportunidades para os fundos imobiliários. A Selic está em 13,75% ao ano após a decisão do Copom de 17 de setembro de 2026, o terceiro corte seguido depois do pico de 15% no início do ano. O juro mais baixo alivia a concorrência da renda fixa, mas o patamar segue restritivo. Ao mesmo tempo, o IPCA acumulado em 12 meses está em 4,22% (agosto de 2026, IBGE), o que sustenta os fundos indexados à inflação, especialmente os de papel com CRIs IPCA+.

O IFIX, principal índice do setor, acumula queda de 0,33% no ano até o fim de agosto de 2026. O número esconde uma dispersão enorme: enquanto o índice andou de lado, dez fundos individuais entregaram entre 9% e 15,57% no mesmo período. Em 2026, a seleção ativa não foi um detalhe, foi a diferença entre ganhar e empatar.

Outros dados importantes do contexto:

  • A base de investidores em FIIs ultrapassou 3 milhões de pessoas pela primeira vez em janeiro de 2026, crescimento de ~9% frente aos 2,78 milhões registrados no fechamento de 2025.
  • O estoque financeiro dos FIIs sob custódia na B3 atingiu R$ 200 bilhões, novo recorde histórico.
  • As pessoas físicas continuam sendo as principais detentoras, com 72,9% do estoque, seguidas por investidores institucionais.
  • O conflito entre EUA e Irã no 2T26 trouxe volatilidade pontual ao IFIX em abril, mas o mês encerrou positivo para a maioria das carteiras recomendadas.

Os 10 FIIs com maiores retornos em 2026

A lista a seguir é baseada em dados da Quantum Finance, considerando os FIIs integrantes do IFIX com retorno acumulado de 02/01/2026 até 31/08/2026. O ranking contempla valorização de cotas mais distribuição de rendimentos:

PosiçãoFundoTickerSegmentoRetorno 2026
1Riza Arctium Real EstateRZAT11Híbrido15,57%
2Polo Crédito ImobiliárioPORD11Papel (CRI)13,91%
3Mauá Capital Recebíveis ImobiliáriosMCCI11Papel (CRI)13,72%
4Kinea SecuritiesKNSC11Papel (CRI)13,30%
5BRPR Corporate Offices FIIBROF11Lajes Corporativas13,06%
6Itaú Crédito Imobiliário IPCA FIIICRI11Papel (CRI IPCA)10,51%
7Kinea Rendimentos ImobiliáriosKNCR11Papel (CRI pós-fixado)9,60%
8Kinea Índices de PreçosKNIP11Papel (CRI IPCA)9,42%
9Kinea (CRI pós-fixado)KNUQ11Papel (CRI)9,38%
10MANA11MANA11Papel (CRI)9,07%

1. RZAT11: Riza Arctium Real Estate (Híbrido, 15,57%)

O RZAT11 lidera o ranking de 2026 com 15,57% acumulados até agosto, uma vantagem de 1,66 ponto percentual sobre o segundo colocado. Gerido pela Riza Asset, o fundo combina ativos logísticos e de varejo em uma estratégia híbrida, com contratos atípicos de longo prazo que dão previsibilidade ao fluxo de caixa.

O desempenho se destaca ainda mais quando comparado ao índice: enquanto o RZAT11 subiu mais de 15%, o IFIX recuou 0,33% no mesmo intervalo. É a maior distância entre líder e índice dos últimos anos.

2. PORD11: Polo Crédito Imobiliário (Papel, 13,91%)

O PORD11, gerido pela Polo Capital, é um fundo de recebíveis imobiliários com patrimônio líquido superior a R$ 335 milhões. Acumula 13,91% em 2026 e foi um dos pouquíssimos FIIs do IFIX a superar o CDI no período.

  • Carteira de CRIs com prêmio de risco elevado, beneficiada pelo ciclo de juros altos.
  • Gestão ativa na originação e no giro dos ativos de crédito.
  • Distribuições mensais sustentadas ao longo do ano.

3. MCCI11: Mauá Capital Recebíveis Imobiliários (Papel, 13,72%)

O MCCI11, da Mauá Capital, fecha o pódio com 13,72% em 2026. É um dos maiores fundos de papel do mercado, com patrimônio líquido próximo de R$ 1,5 bilhão e cerca de 125 mil cotistas, o que lhe garante liquidez consistente no secundário.

A carteira diversificada de CRIs, com boa distribuição entre indexadores e devedores, explica a combinação de rendimento alto e volatilidade contida que caracterizou o fundo no ano.

4. BROF11: BRPR Corporate Offices FII (Lajes Corporativas, 13,06%)

O BROF11, gerido pela BGR Asset, foca em lajes corporativas e possui patrimônio líquido superior a R$ 1,2 bilhão. Acumula 13,06% em 2026 e é o único fundo de tijolo puro entre os cinco primeiros, sinalizando a melhora na absorção de espaços corporativos em São Paulo.

5. ICRI11: Itaú Crédito Imobiliário IPCA FII (Papel CRI IPCA, 10,51%)

O ICRI11 é um fundo de papel com carteira de CRIs majoritariamente indexados ao IPCA. Com o IPCA acumulado em 12 meses em 4,22% e a Selic em 13,75%, os spreads reais dos ativos do portfólio seguem atrativos. Retorno de 10,51% no ano.

6. A família Kinea de fundos de papel (KNSC11, KNCR11, KNIP11 e KNUQ11)

Quatro fundos da Kinea aparecem no top 10, todos de crédito imobiliário e com estratégias complementares entre si:

  • KNSC11 (Kinea Securities, 13,30%): gestão ativa em CRIs com meta de retorno absoluto.
  • KNCR11 (Kinea Rendimentos Imobiliários, 9,60%): carteira pós-fixada que busca entregar o equivalente a 100% do CDI líquido.
  • KNIP11 (Kinea Índices de Preços, 9,42%): foco em CRIs indexados à inflação.
  • KNUQ11 (9,38%): carteira dedicada a CRIs de natureza pós-fixada.

A presença de quatro fundos da mesma casa no ranking diz menos sobre a gestora e mais sobre o ciclo: com juro alto durante boa parte do ano, o crédito imobiliário rendeu mais que o aluguel. O MANA11 fecha a lista com 9,07%.

Destaques do primeiro trimestre de 2026

O ranking mudou bastante ao longo do ano. Estes foram os fundos que lideraram o primeiro trimestre de 2026 (02/01 a 31/03), segundo a mesma fonte, e que ilustram bem como eventos operacionais movem a cota de um FII:

TRBL11: quando resolver a vacância vira retorno

O TRBL11 (Tellus Rio Bravo Renda Logística) liderou o IFIX no 1T26 com 15,78%. O fundo, gerido pela Rio Bravo Investimentos, tem patrimônio líquido de aproximadamente R$ 637 milhões e foco em imóveis logísticos.

  • Em fevereiro de 2026, assinou contrato de locação com a Shopee para um galpão em Contagem (MG), com prazo de 5 anos até 2031 e locação de 100% da ABL do imóvel.
  • A vacância do portfólio caiu de 31% para aproximadamente 3,3%, eliminando o principal ponto de pressão do fundo desde 2025.
  • O contrato estimou impacto positivo de R$ 0,26 por cota/mês nos resultados.

O caso do TRBL11 é um exemplo claro de como eventos operacionais pontuais, neste caso a solução de vacância, podem impactar drasticamente a precificação de FIIs de tijolo no curto prazo.

Outros nomes do trimestre

  • OUJP11 (Ourinvest JPP, 13,20% no 1T26): fundo de papel com gestão ativa e movimentação relevante de carteira, incluindo a liquidação antecipada do CRI AXS.
  • KNRI11 (Kinea Renda Imobiliária, 11,43% no 1T26): um dos maiores FIIs da B3, combina lajes corporativas e galpões logísticos, com alta liquidez no secundário.
  • BPML11 (BTG Pactual Shoppings, 10,62% no 1T26): patrimônio próximo de R$ 1 bilhão, beneficiado pela recuperação do consumo presencial.
  • ITRI11 (Itaú Total Return, 10,61% no 1T26): estratégia de retorno total, combinando renda e ganho de capital.
  • SNCI11 (Suno Recebíveis Imobiliários, 10,08% no 1T26): concluiu sua desalavancagem ao longo do trimestre.
  • BTAL11 (BTG Pactual Logística, 9,62% no 1T26) e LIFE11 (Life Capital Partners, 8,59% no 1T26) completavam o top 10 do trimestre.

Setores imobiliários que mais se destacaram em 2026

  • FIIs de Papel (CRI): são a grande história de 2026. Sete dos dez fundos mais rentáveis do ano são de crédito imobiliário (PORD11, MCCI11, KNSC11, ICRI11, KNCR11, KNIP11, KNUQ11). Com a Selic partindo de 15% e terminando o período em 13,75%, os CRIs indexados a IPCA+ e CDI+ entregaram rendimentos reais que o tijolo não conseguiu acompanhar. Atenção ao risco de crédito dos emissores, especialmente em carteiras concentradas.
  • FIIs Híbridos: o RZAT11 lidera o ano justamente por não depender de um único segmento. A diversificação entre logística e varejo, com contratos atípicos longos, amorteceu a volatilidade e capturou oportunidades em mais de uma frente.
  • FIIs de Lajes Corporativas: o retorno do BROF11 sinaliza melhora consistente na absorção de espaços corporativos em São Paulo, com redução gradual da vacância nos eixos Faria Lima, Berrini e Itaim. É o segmento de tijolo com a virada mais visível do ano.
  • FIIs de Logística: o segmento brilhou no primeiro trimestre, com TRBL11 e BTAL11, mas perdeu força no acumulado do ano. A demanda por galpões impulsionada pelo e-commerce segue firme, com Shopee e Mercado Livre expandindo malha no Brasil, embora a precificação já embuta boa parte dessa expectativa.
  • FIIs de Shoppings: o BPML11 mostrou no 1T26 que o segmento consolidou sua recuperação pós-pandemia, com consumo das famílias sustentado e inadimplência de lojistas controlada, ainda que sem repetir o destaque no acumulado de 2026.

Além dos FIIs tradicionais, investidores também têm buscado alternativas como os fundos de investimento em infraestrutura (FI-Infra) e os melhores ETFs para investir em imóveis. Para quem monta uma carteira de renda, vale comparar também os FIIs que pagam os maiores dividendos e, no lado da proteção, os melhores fundos de investimento em ouro. Quem prefere uma abordagem passiva e diversificada pode se inspirar na carteira Bogleheads para definir o peso de cada classe.

Como escolher FIIs depois de um ano de dispersão

2026 deixou uma lição difícil de ignorar: o IFIX caiu 0,33% enquanto dez fundos subiram entre 9% e 15,57%. Comprar o índice teria dado zero; a diferença veio de carteiras de CRI bem construídas, da virada nas lajes corporativas e de eventos operacionais como o do TRBL11.

Manter uma carteira de FIIs no piloto automático custou caro neste ciclo. Revise os relatórios gerenciais dos seus fundos, cheque vacância, indexador e risco de crédito, e reequilibre a posição antes que o próximo ciclo de juros mude a conta outra vez.

Perguntas frequentes sobre os FIIs mais rentáveis de 2026

Fontes consultadas:

  • Banco Central do Brasil, taxa Selic definida pelo Copom de 17 de setembro de 2026.
  • IBGE, IPCA acumulado em 12 meses até agosto de 2026.
  • Quantum Finance, retorno acumulado dos FIIs integrantes do IFIX entre 02/01/2026 e 31/08/2026.