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Os 10 fundos imobiliários mais rentáveis de 2026

Índice
Em 2026, o mercado de fundos imobiliários (FIIs) no Brasil retomou trajetória positiva após um 2025 marcado por juros elevados e pressão sobre os ativos de risco. Nos primeiros meses do ano, parte relevante dos FIIs do IFIX acumulou ganhos expressivos, com destaques chegando a superar o índice em até seis vezes. A seguir, apresentamos os 10 FIIs com maiores retornos acumulados em 2026, com base nos dados mais recentes disponíveis, destacando os setores, os drivers de performance e os riscos a monitorar.
Contexto do mercado de FIIs em 2026
O cenário macroeconômico de 2026 combina desafios e oportunidades para os fundos imobiliários. A Selic permanece em patamar elevado — 13% ao ano até o fechamento deste artigo, segundo o Boletim Focus do Banco Central —, o que mantém a renda fixa como concorrente direta dos FIIs. Ao mesmo tempo, o IPCA acumulado nos últimos 12 meses está em 4,44% (dado de abril de 2026), o que favorece fundos indexados à inflação, especialmente os de papel com CRIs IPCA+.
O IFIX, principal índice do setor, acumulou alta de aproximadamente 2,5% no primeiro trimestre de 2026 — desempenho modesto frente ao histórico, mas que esconde uma dispersão relevante: enquanto o índice avançou de forma contida, fundos individuais chegaram a acumular retornos de dois dígitos no mesmo período, evidenciando a importância da seleção ativa.
Outros dados importantes do contexto:
- A base de investidores em FIIs ultrapassou 3 milhões de pessoas pela primeira vez em janeiro de 2026, crescimento de ~9% frente aos 2,78 milhões registrados no fechamento de 2025.
- O estoque financeiro dos FIIs sob custódia na B3 atingiu R$ 200 bilhões, novo recorde histórico.
- As pessoas físicas continuam sendo as principais detentoras, com 72,9% do estoque, seguidas por investidores institucionais.
- O conflito entre EUA e Irã no 2T26 trouxe volatilidade pontual ao IFIX em abril, mas o mês encerrou positivo para a maioria das carteiras recomendadas.
Os 10 FIIs com maiores retornos em 2026
A lista a seguir é baseada em dados da Quantum Finance, considerando os FIIs integrantes do IFIX com retorno acumulado de 02/01/2026 até 31/03/2026 (1T26). O ranking contempla valorização de cotas mais distribuição de rendimentos:
| Posição | Fundo | Ticker | Segmento | Retorno 1T26 | |||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Tellus Rio Bravo Renda Logística FII | TRBL11 | Logística | 15,78% | |||||
| 2 | Ourinvest JPP FII | OUJP11 | Papel (CRI) | 13,20% | |||||
| 3 | Kinea Renda Imobiliária FII | KNRI11 | Híbrido | 11,43% | |||||
| 4 | BTG Pactual Shoppings FII | BPML11 | Shoppings | 10,62% | |||||
| 5 | Itaú Total Return FII | ITRI11 | Híbrido | 10,61% | |||||
| 6 | Itaú Crédito Imobiliário IPCA FII | ICRI11 | Papel (CRI IPCA) | 10,39% | |||||
| 7 | Suno Recebíveis Imobiliários FII | SNCI11 | Papel (CRI) | 10,08% | |||||
| 8 | BTG Pactual Logística FII | BTAL11 | Logística | 9,62% | |||||
| 9 | BRPR Corporate Offices FII | BROF11 | Lajes Corporativas | 9,24% | |||||
| 10 | Life Capital Partners FII | LIFE11 | Híbrido | 8,59% |
| Posição | Fundo | Ticker | Segmento | Retorno 1T26 | |||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Tellus Rio Bravo Renda Logística FII | TRBL11 | Logística | 15,78% | |||||
| 2 | Ourinvest JPP FII | OUJP11 | Papel (CRI) | 13,20% | |||||
| 3 | Kinea Renda Imobiliária FII | KNRI11 | Híbrido | 11,43% | |||||
| 4 | BTG Pactual Shoppings FII | BPML11 | Shoppings | 10,62% | |||||
| 5 | Itaú Total Return FII | ITRI11 | Híbrido | 10,61% | |||||
| 6 | Itaú Crédito Imobiliário IPCA FII | ICRI11 | Papel (CRI IPCA) | 10,39% | |||||
| 7 | Suno Recebíveis Imobiliários FII | SNCI11 | Papel (CRI) | 10,08% | |||||
| 8 | BTG Pactual Logística FII | BTAL11 | Logística | 9,62% | |||||
| 9 | BRPR Corporate Offices FII | BROF11 | Lajes Corporativas | 9,24% | |||||
| 10 | Life Capital Partners FII | LIFE11 | Híbrido | 8,59% |
1. TRBL11: Tellus Rio Bravo Renda Logística FII (Logística — 15,78%)
O TRBL11 liderou o ranking do IFIX no primeiro trimestre de 2026 com folga de 2,58 pontos percentuais sobre o segundo colocado. O fundo, gerido pela Rio Bravo Investimentos, possui patrimônio líquido de aproximadamente R$ 637 milhões e foco em imóveis logísticos.
Por que se destacou?
- Em fevereiro de 2026, o fundo assinou contrato de locação com a Shopee para um galpão logístico em Contagem (MG), com prazo de 5 anos até 2031 e locação de 100% da ABL do imóvel.
- A vacância do portfólio caiu de 31% para aproximadamente 3,3%, eliminando o principal ponto de pressão do fundo desde 2025.
- O contrato com a Shopee estimou impacto positivo de R$ 0,26 por cota/mês nos resultados, somando nova receita de aluguel e redução de custos do espaço desocupado.
O TRBL11 é um exemplo claro de como eventos operacionais pontuais — neste caso, a solução de vacância — podem impactar drasticamente a precificação de FIIs de tijolo no curto prazo.
2. OUJP11: Ourinvest JPP FII (Papel — 13,20%)
O OUJP11 é um fundo de papel focado em CRIs com perfil de crédito diversificado. Foi o segundo melhor desempenho do IFIX no 1T26, com valorização de 13,20%, incluindo os rendimentos distribuídos.
Destaques:
- Em janeiro de 2026, liderou o ranking mensal do IFIX com alta de 13,69% em 30 dias, superando o índice em até seis vezes.
- Beneficiado pelo ambiente de Selic elevada e CRIs com boas taxas reais.
- Gestão ativa com movimentação relevante de carteira — compras e vendas de ativos ao longo do trimestre, incluindo liquidação antecipada do CRI AXS.
3. KNRI11: Kinea Renda Imobiliária FII (Híbrido — 11,43%)
Um dos maiores FIIs da B3, o KNRI11 combina exposição a lajes corporativas e galpões logísticos, entregando 11,43% no primeiro trimestre. A estratégia híbrida amorteceu volatilidade e permitiu capturar os dois segmentos em recuperação simultânea.
Por que se destacou?
- Portfólio diversificado entre escritórios e logística, com ocupação elevada e contratos reajustados por inflação.
- Alta liquidez no mercado secundário — KNRI11 é referência de liquidez na indústria, facilitando operações de entrada e saída sem spreads elevados.
- Gestão pela Kinea Investimentos, com histórico consistente de distribuições mensais.
4. BPML11: BTG Pactual Shoppings FII (Shoppings — 10,62%)
O BPML11, gerido pelo BTG Pactual e focado em shopping centers, entregou 10,62% no 1T26. Com patrimônio líquido próximo de R$ 1 bilhão e cerca de 5.300 cotistas, o fundo se beneficiou da recuperação contínua do consumo presencial.
Destaques:
- Recomposição de aluguéis acima da inflação em contratos renegociados.
- Portfólio com shoppings em regiões de alta renda e tráfego resiliente.
- Distribuições mensais consistentes que sustentaram o dividend yield ao longo do trimestre.
5. ITRI11: Itaú Total Return FII (Híbrido — 10,61%)
O ITRI11 adota estratégia de retorno total, combinando renda com ganho de capital via gestão ativa do portfólio. O resultado de 10,61% no 1T26 reflete a capacidade da gestão Itaú de capturar oportunidades em diferentes segmentos imobiliários.
6. ICRI11: Itaú Crédito Imobiliário IPCA FII (Papel CRI IPCA — 10,39%)
O ICRI11 é um fundo de papel com carteira de CRIs majoritariamente indexados ao IPCA. Com o IPCA acumulado em 12 meses rodando em torno de 4,44% e Selic em 13%, os spreads reais dos ativos do portfólio seguem atrativos. Retorno de 10,39% no trimestre.
7. SNCI11: Suno Recebíveis Imobiliários FII (Papel — 10,08%)
O SNCI11 registrou 10,08% no 1T26, completando o conjunto de sete FIIs do IFIX com retorno superior a 10% no período. Focado em CRIs com carteira diversificada, o fundo concluiu sua desalavancagem ao longo do trimestre — processo que amplia a capacidade de aproveitar novas oportunidades de crédito imobiliário.
8. BTAL11: BTG Pactual Logística FII (Logística — 9,62%)
Assim como o TRBL11, o BTAL11 surfou a onda de recuperação do segmento logístico, encerrando o trimestre com 9,62%. O fundo combina galpões em localizações estratégicas com contratos de médio e longo prazo, o que gera previsibilidade de fluxo de caixa.
9. BROF11: BRPR Corporate Offices FII (Lajes Corporativas — 9,24%)
O BROF11, gerido pela BGR Asset, foca em lajes corporativas e possui patrimônio líquido superior a R$ 1,2 bilhão. Entregou 9,24% no 1T26. O fundo foi destaque no ranking dos dois primeiros meses do ano, chegando a acumular +13,6% até fevereiro, antes de acomodar parte dos ganhos em março.
10. LIFE11: Life Capital Partners FII (Híbrido — 8,59%)
O LIFE11 fechou o top 10 com 8,59% no primeiro trimestre. Com estratégia híbrida, combina exposição a recebíveis e ativos reais, entregando rendimento mensal consistente mesmo em ambiente de juros elevados.
Setores imobiliários que mais se destacaram em 2026
- FIIs de Logística: o segmento logístico voltou a liderar em 2026, com TRBL11 e BTAL11 no top 10. A demanda por galpões impulsionada pelo e-commerce, contratos de longo prazo e a resolução de vacâncias pontuais foram os principais catalisadores. A Shopee, Mercado Livre e outros players seguem expandindo sua malha logística no Brasil, sustentando a demanda por ativos de qualidade.
- FIIs Híbridos: com KNRI11, ITRI11 e LIFE11 no ranking, os fundos de estratégia mista demonstraram capacidade de navegar em diferentes ciclos setoriais. A diversificação entre papel e tijolo, ou entre logística e escritórios, amorteceu volatilidade e capturou oportunidades em múltiplas frentes.
- FIIs de Papel (CRI): OUJP11, ICRI11 e SNCI11 mostram que os fundos de crédito imobiliário continuam relevantes com Selic em 13%. CRIs com IPCA+ e CDI+ oferecem rendimentos reais atrativos. Atenção ao risco de crédito dos emissores, especialmente em carteiras com maior concentração setorial.
- FIIs de Shoppings: o BPML11 comprova que o segmento de shoppings consolidou sua recuperação pós-pandemia. Com consumo das famílias ainda sustentado e inadimplência de lojistas controlada, os fundos de shoppings seguem gerando renda previsível e capturando valorização de ativos.
- FIIs de Lajes Corporativas: o retorno do BROF11 sinaliza melhora na absorção de espaços corporativos em São Paulo, com redução gradual da vacância nos eixos Faria Lima, Berrini e Itaim. Segmento ainda em recuperação, mas com perspectiva positiva para 2026.
Os resultados do primeiro trimestre de 2026 evidenciam que a seleção ativa de FIIs continua sendo determinante para superar o IFIX. Enquanto o índice avançou cerca de 2,5% no período, os dez fundos mais rentáveis entregaram entre 8,59% e 15,78% — um diferencial expressivo que recompensou investidores atentos a fundamentos operacionais, qualidade de gestão e resolução de eventos específicos, como a redução de vacância do TRBL11.
Além dos FIIs tradicionais, investidores também têm buscado alternativas como os fundos de investimento em infraestrutura (FI-Infra) e os melhores ETFs para investir em imóveis oferecem uma alternativa prática e acessível.