Rotativo do cartão sobe a 451,71% ao ano e dívida bate recorde de R$ 97,8 bilhões; veja o que muda com as novas regras do BC

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Os juros do rotativo do cartão de crédito subiram para 451,71% ao ano em setembro, o equivalente a 15,29% ao mês, segundo as estatísticas de crédito que o Banco Central divulgou em 29 de outubro. É a taxa mais alta desde agosto de 2025. Ao mesmo tempo, o saldo devedor das pessoas físicas no rotativo chegou a R$ 97,8 bilhões, o maior da série iniciada em 2007 e 21,4% acima de um ano antes.
Os números chegam junto com as primeiras regras do BC contra o superendividamento. Três resoluções aprovadas em 23 de outubro e publicadas no Diário Oficial em 26 de outubro restringem as ofertas de crédito a quem vive no rotativo, criam um painel com todas as dívidas do cliente e regulam o crédito oferecido na hora de pagar com Pix. Veja quanto custa cada linha, o que muda e a partir de quando.
Pontos-chave
- 📊 Rotativo: 451,71% ao ano (15,29% ao mês) em setembro, a maior taxa desde agosto de 2025.
- 💳 Dívida no rotativo: R$ 97,8 bilhões, recorde da série do Banco Central.
- 🚫 Rotativo em 3 faturas em 6 meses: só ofertas para renegociar, a partir de 31/3/2027.
- ⏳ Painel de dívidas e novas regras do crédito no Pix: a partir de 1º/7/2027.
Quanto cobram o cartão e as outras linhas de crédito?
O rotativo segue como o crédito mais caro do país: cobra mais que o dobro do juro anual do parcelamento da fatura e mais que o triplo do cheque especial. Na outra ponta, o consignado de aposentados e pensionistas do INSS cobra 1,76% ao mês.
| Linha de crédito (pessoa física) | Juros ao mês | Juros ao ano | Juros de 1 mês sobre R$ 1.000 |
|---|---|---|---|
| Rotativo do cartão | 15,29% | 451,71% | R$ 152,90 |
| Parcelamento da fatura do cartão | 9,37% | 193,02% | R$ 93,70 |
| Cheque especial | 7,53% | 139,02% | R$ 75,30 |
| Crédito pessoal não consignado | 6,42% | 110,94% | R$ 64,20 |
| Consignado de trabalhador do setor privado | 3,75% | 55,46% | R$ 37,50 |
| Consignado de aposentado e pensionista do INSS | 1,76% | 23,22% | R$ 17,60 |
O calote também segue alto: 65,61% do saldo do rotativo estava com mais de 90 dias de atraso em setembro, pouco abaixo do recorde de agosto, de 66,12% no dado revisado do BC. O avanço do mês anterior está em calote no rotativo do cartão e juros de 444,89% ao ano. As famílias, por sua vez, comprometiam em agosto 28,99% da renda com o pagamento de dívidas, o maior nível da série.
A dívida do rotativo pode crescer sem limite?
Não. A Lei 14.690/2023, regulamentada pela Resolução CMN 5.112/2023, limita os juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura a 100% do valor original da dívida. Quem deixou R$ 1.000 no rotativo pode pagar, no máximo, R$ 1.000 de juros, multa, mora e tarifas, ou R$ 2.000 no total. Sem esse teto, R$ 1.000 a 451,71% ao ano virariam R$ 5.517 em 12 meses.
O saldo também não pode ficar indefinidamente no rotativo: depois da fatura seguinte, ele tem de ser migrado para um parcelamento, que cobra menos. Cada nova operação, porém, recomeça a conta do teto, por isso a saída mais barata continua sendo pagar a fatura inteira. Lembre ainda que todo crédito paga IOF na contratação.
O que mudam as novas regras do Banco Central?
| Norma | O que muda para você | Vale a partir de |
|---|---|---|
| Resolução BCB 602 (ofertas de crédito) | Você escolhe de quais produtos aceita receber propagandas e ofertas. Quem está em situação de vulnerabilidade só recebe ofertas com autorização prévia, produto a produto, e só para renegociar, fazer portabilidade ou trocar por crédito mais barato, sem dinheiro novo | 31/3/2027 |
| Resolução BCB 601 (Painel de Dívidas Consolidadas) | O banco mostra no aplicativo todas as suas dívidas com ele, simula a parcela e o peso na renda antes de cada contratação e emite um alerta quando o comprometimento chega a 40% | 1º/7/2027 |
| Resolução BCB 603 (crédito no Pix) | O crédito oferecido na hora de pagar com Pix depende de autorização prévia, que só vale 24 horas depois, e não pode passar do valor do Pix | 1º/7/2027 |
O BC já tinha mostrado o tamanho do problema no Relatório de Estabilidade Financeira, com 20,3 milhões de endividados de risco, como contamos em endividados de risco somam 20,3 milhões. As novas normas são a primeira resposta concreta.
Quem o BC vai considerar em situação de vulnerabilidade?
A Resolução 602 manda os bancos identificarem os clientes que exigem “atenção qualificada”. Pelo texto, eles devem considerar, no mínimo:
- Renda disponível insuficiente, ou em risco de não garantir o mínimo para viver, depois das despesas essenciais e das dívidas já assumidas.
- Fragilidade ou pouco conhecimento financeiro, considerando fatores como idade e escolaridade.
- Uso persistente do rotativo ou do parcelamento da fatura: três ou mais faturas em seis meses.
- Dívida vencida há 90 dias ou mais no sistema financeiro.
A autorização para receber ofertas tem de ser renovada pelo menos uma vez por ano e pode ser retirada a qualquer momento, com efeito imediato. A regra não impede que você mesmo procure e contrate crédito no aplicativo do banco.
O que fazer se você está no rotativo agora?
- Troque o rotativo por uma linha mais barata. Com R$ 1.000, o rotativo cobra R$ 152,90 de juros em um mês; o parcelamento da fatura, R$ 93,70; o consignado do INSS, R$ 17,60.
- Peça a portabilidade. A dívida da fatura pode ser levada para outro banco, e a regra do CMN impede que o novo contrato seja maior que o saldo informado pelo credor original.
- Use a renda extra do fim de ano. A 1ª parcela do 13º salário cai até 30 de novembro e pode quitar a dívida mais cara antes de qualquer aplicação.
- Dívida antiga e atrasada? Veja quem pode renegociar no Desenrola 3.0.
- Refaça o orçamento. A calculadora de orçamento mensal 50/30/20 mostra quanto da renda já vai para parcelas; acima de 40%, é o nível em que o novo painel do BC vai emitir alerta.
O custo do crédito também depende dos juros básicos: o Copom decide nesta quarta-feira a Selic, hoje em 13,75% ao ano, como mostramos em quanto rende o CDI em cada cenário do Copom. Para entender a relação, veja Selic: o que é e como funciona. E quem já saiu do vermelho pode começar a reserva em um CDB de liquidez diária, ou aprender a se organizar com cursos gratuitos de educação financeira.
Perguntas frequentes sobre o rotativo do cartão
Fontes
- Banco Central do Brasil: Estatísticas Monetárias e de Crédito (29/10/2026) e séries de taxas, saldo e inadimplência (SGS).
- Banco Central do Brasil: Resoluções BCB 601, 602 e 603, de 23/10/2026, publicadas no DOU de 26/10/2026.
- Lei 14.690/2023 (art. 28) e Resolução CMN 5.112/2023.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a orientação de um profissional sobre a sua situação financeira.