Copom decide a Selic em 4/11: opções da B3 veem 63% de chance de parar em 13,75%, mas Focus ainda espera corte

As Opções de Copom da B3 apontam 63,1% de chance de a Selic ficar em 13,75% em 4 de novembro, enquanto o Focus ainda mostra 13,50%. Veja os cenários e o que muda no seu dinheiro.
Banco central Brasil

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A poucos dias da reunião, o mercado mudou de ideia sobre o Copom. As Opções de Copom da B3 indicam 63,1% de chance de a Selic ficar parada em 13,75% na decisão de 4 de novembro, contra 28% de corte de 0,25 ponto, considerando os preços do fechamento de 26 de outubro. Até 23 de outubro, segundo o Seu Dinheiro, o corte era o cenário mais provável, com 76%.

Já o Boletim Focus ainda mostra mediana de 13,50% para a reunião, mas com projeções coletadas até 23 de outubro, antes do 2º turno. Veja o que explica a virada, os cenários possíveis e o que cada um muda no seu dinheiro.

Pontos-chave

  • 📊 Opções da B3: 63,1% para Selic em 13,75%; 28% para corte de 0,25 ponto.
  • 📉 Focus ainda aponta 13,50%, mas com dados anteriores ao 2º turno.
  • 📈 Tesouro Prefixado 2032 foi a 15,41% ao ano; eram 12,90% em 23/10.
  • 💰 Em R$ 10 mil no CDB, 0,25 ponto muda cerca de R$ 20 líquidos em um ano.

O que o mercado espera do Copom em 4 de novembro?

A 282ª reunião acontece nos dias 3 e 4, com a decisão na noite de quarta-feira. O calendário completo está na página sobre a próxima reunião do Copom. Hoje há dois termômetros, e eles apontam para lados diferentes, em boa parte porque foram medidos em momentos diferentes:

TermômetroData da leituraO que indica
Opções de Copom (B3)Fechamento de 26/10Manutenção: 63,1%; corte de 0,25: 28%; corte de 0,50: 4,2%
Opções de Copom (B3), por Seu DinheiroNegócios até 27/10Manutenção: 60,9%; corte de 0,25: 36%; alta de 0,25: 1,57%
Focus (mediana para a reunião)Coleta até 23/1013,50% em novembro e 13,25% em dezembro

Os preços das opções reagem em tempo real, enquanto a mediana do Focus muda devagar. O boletim divulgado em 26 de outubro, que já vinha mostrando a Selic a 13,25% no fim do ano, só reuniu respostas até a sexta anterior à eleição. A leitura das opções também pode mudar até a decisão, como lembra a própria B3.

Por que a aposta mudou em poucos dias?

A virada veio depois do 2º turno. Na segunda-feira (26), a bolsa viveu o pior dia desde 2020: o Ibovespa caiu 13,88% e o dólar disparou após a reeleição de Lula. Desde então, o mercado acrescentou prêmio nos juros longos, e o índice fechou a quinta-feira (29) em 169.186 pontos, na quarta queda seguida. A PTAX de venda ficou em R$ 5,3744.

O movimento aparece com clareza no Tesouro Direto:

Título (taxa de compra)1º/1023/1029/10
Tesouro Prefixado 202913,86%12,77%14,95%
Tesouro Prefixado 203214,12%12,90%15,41%
Tesouro IPCA+ 2032IPCA + 7,62%IPCA + 6,76%IPCA + 7,98%
Tesouro IPCA+ 2050IPCA + 7,06%IPCA + 6,48%IPCA + 7,26%

Na análise da Empiricus citada pelo Seu Dinheiro, a analista Laís Costa avalia que o mercado descartou o corte nesta reunião e que as projeções apontam para altas no início do segundo trimestre de 2027. A casa trabalha com a Selic em 13,75% por tempo indeterminado. É uma visão, não um consenso: a mediana do Focus, coletada antes da eleição, ainda via 11,75% no fim de 2027.

O que o Copom disse na última reunião?

Em 16 de setembro, o comitê cortou a Selic de 14% para 13,75%, o quinto corte seguido de 0,25 ponto, e não se comprometeu com o próximo passo. O comunicado diz que o cenário “demanda serenidade e cautela” e que a magnitude total do ciclo será definida à luz de novas informações. A ata registra riscos para a inflação com assimetria altista.

As projeções do BC, no cenário de referência, eram de 5,2% para o IPCA em 2026, 3,9% em 2027 e 3,2% no primeiro trimestre de 2028, o horizonte relevante. Essas contas usavam dólar de partida a R$ 5,15. Desde então, a inflação não ajudou:

IndicadorÚltimo dadoReferência
IPCA em 12 meses4,58% (setembro)Teto da meta: 4,5%
IPCA-15 em 12 meses4,62% (outubro; 0,32% no mês)Teto da meta: 4,5%
Focus: IPCA 20265,19%Coleta até 23/10
Focus: IPCA 20274,34%Coleta até 23/10
Fed (EUA)3,75% a 4% ao anoManteve em 28/10, por 10 votos a 2

Quem quiser relembrar o último número cheio pode ver o IPCA de setembro, de 0,82%. O IPCA de outubro só sai depois da decisão.

Quais são os cenários para a Selic?

  • Manutenção em 13,75% (cenário das opções). O Copom interromperia a sequência de cinco cortes. O ponto a observar seria o comunicado: uma pausa com linguagem dura tende a sustentar as taxas longas, enquanto um tom neutro pode aliviá-las.
  • Corte de 0,25 ponto, para 13,50% (mediana do Focus). Seria a sexta redução seguida. Com a curva pressionada, uma decisão assim poderia ser lida como aposta na desaceleração da economia, e a reação dos juros longos é incerta.
  • Corte de 0,50 ponto ou alta de 0,25 ponto (cauda). Somados, têm probabilidade baixa nas opções. Qualquer um deles seria surpresa, com efeito forte em Tesouro prefixado e IPCA+.

O que muda no seu dinheiro em cada cenário?

Para quem está no pós-fixado, a decisão pesa menos do que parece. A tabela simula R$ 10 mil por 12 meses, supondo que o CDI ficasse no nível de cada cenário durante todo o período:

CenárioSelicCDI estimadoCDB a 100% do CDI (líquido)LCI ou LCA a 90% do CDI
Alta de 0,2514,00%13,90%R$ 1.147R$ 1.243
Manutenção13,75%13,65%R$ 1.126R$ 1.221
Corte de 0,2513,50%13,40%R$ 1.106R$ 1.198
Corte de 0,5013,25%13,15%R$ 1.085R$ 1.176
  • Tesouro Selic e CDB pós-fixado: acompanham a taxa. Cada 0,25 ponto muda pouco, e o Imposto de Renda sobre o CDB continua seguindo o prazo. A reserva de emergência pode ficar onde está, em um CDB de liquidez diária ou no Tesouro Selic.
  • Tesouro Prefixado: é quem mais sente. Quem compra hoje trava a taxa até o vencimento, mas, se vender antes, fica sujeito à marcação a mercado. O mecanismo está no guia do título sem cupom.
  • Tesouro IPCA+: o IPCA+ 2032 paga juros reais perto de 8% ao ano, mas os prazos longos oscilam bastante até o vencimento.
  • LCI e LCA: acompanham o CDI. Veja a comparação em LCI, LCA ou CDB: qual rende mais e as melhores LCI e LCA com a Selic alta.
  • Poupança: não muda. Com a Selic acima de 8,5% ao ano, segue em 0,5% ao mês mais a TR, como mostramos em quanto rende a poupança.

Na prática, tentar acertar a decisão costuma valer menos do que escolher o prazo certo para o seu objetivo. Quem vai usar o dinheiro em breve pode preferir liquidez; quem tem horizonte longo e aguenta a oscilação pode olhar as taxas que dá para travar hoje. Para fazer as contas, use a calculadora de juros compostos ou veja como investir 10 mil reais.

O que acontece até a decisão?

DataEvento
Segunda, 2/11Feriado nacional de Finados
Terça, 3/11Primeiro dia da reunião; o Focus deve sair neste dia, com a primeira coleta depois do 2º turno
Quarta, 4/11Decisão do Copom, à noite
Terça, 10/11Ata da reunião, às 8h

Para entender como a taxa funciona, veja Selic: o que é e como funciona e o valor vigente em taxa Selic hoje. Depois da decisão, publicaremos o resultado e o que muda na renda fixa.

Perguntas frequentes sobre o Copom de novembro

Fontes

  • B3 Bora Investir: “A uma semana do Copom, Opções da B3 indicam 63,1% de chance de manutenção da Selic”, de 29/10/2026.
  • Banco Central do Brasil: comunicado e ata da 281ª reunião do Copom, Expectativas de Mercado (Focus), SGS e PTAX.
  • Tesouro Direto e IBGE: taxas de 29/10/2026 e IPCA-15 de outubro de 2026.

Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento. Simulações não garantem rentabilidade futura.