O que é o Bônus? Seu Guia Completo para Investir em Renda Fixa

O bônus é um ativo de renda fixa emitido a longo prazo por uma empresa, organismo público ou Governo.

O bônus é um instrumento negociado no mercado secundário, portanto, sua rentabilidade, se vendido antes do vencimento, será determinada não apenas pelos juros acumulados, mas também pela variação de patrimônio que pode resultar de sua compra e venda. Isso, dependendo do seu preço a cada momento.

Em um bônus, o emissor promete devolver o dinheiro emprestado ao comprador e geralmente com juros previamente fixados (cupom). Por esta razão, é conhecido como instrumento de renda fixa, pois independentemente de como a empresa (ou Estado) se saia, um juro fixo será recebido no final do período.

Como funciona o bônus?

Sendo o bônus uma parte alíquota de um empréstimo, o que a organização emissora faz é dividir o total da dívida que deseja colocar em pequenas porções (bônus). Desta forma, qualquer pessoa pode emprestar dinheiro.

Em outras palavras, ao comprar um bônus, está-se fazendo um empréstimo, portanto, o comprador entrega uma quantia de dinheiro (capital do bônus). Da mesma forma, o emissor do bônus, que recebe o financiamento, compromete-se a devolvê-lo em uma data de vencimento, estabelecida previamente.

Como deve ser calculado o valor de um bônus?

O valor atual do bônus é igual aos fluxos de caixa que serão recebidos no futuro, descontados ao momento presente a uma taxa de juros. Neste caso, deve-se calcular o valor presente líquido (VPL) do bônus.

Nesse sentido, podemos notar que o preço de um bônus e a taxa de juros (que é a do mercado) têm uma relação inversa. Se as taxas sobem, o valor presente dos fluxos futuros será menor, e o mesmo acontece no sentido contrário.

Mas vamos analisar mais profundamente essa questão. Suponhamos que a taxa de juros do mercado suba para 5% e supere a do bônus AZ que paga 4% (tudo em termos anuais). Isso significa que o bônus já não é tão atraente para os investidores.

Portanto, para compensar esses juros mais baixos do bônus AZ, seu preço cai. Ou seja, o sinal é: Este bônus paga menos juros, mas é mais barato.

Por outro lado, se as taxas caírem para 3%, por exemplo, o bônus AZ se torna mais atraente para os investidores. Então, os agentes aumentarão sua demanda por este instrumento, impulsionando seu preço para cima.

Partes de um Bônus

Os bônus têm 3 partes principais:

  • O principal ou valor indicado no bônus, ou seja, seu valor nominal, que geralmente é denominado em múltiplos de 100 ou 1.000.
  • O cupom, que representa a taxa de juros do bônus.
  • O prazo, que é o período de validade do bônus.

Tipos de bônus

Existem diferentes tipos de bônus, que diferem em sua duração, taxa de juros e risco. Alguns dos tipos de bônus mais comuns incluem:

  • Bônus do Governo ou bônus do Estado: São bônus emitidos pelo Governo de um país e são geralmente considerados um dos investimentos mais seguros devido à alta classificação de crédito dos Estados. Esses instrumentos geralmente têm uma longa duração e uma taxa de juros fixa.
  • Bônus corporativos: São bônus emitidos por empresas privadas e geralmente têm um risco maior do que os bônus do Governo devido à possibilidade de a empresa emissora não conseguir cumprir suas obrigações de reembolso. Os bônus corporativos podem ter uma longa ou curta duração e podem ter uma taxa de juros fixa ou variável.
  • Bônus hipotecários: São bônus emitidos por entidades financeiras e garantidos por uma hipoteca sobre um imóvel. Os bônus hipotecários geralmente têm uma longa duração e uma taxa de juros fixa.
  • Bônus conversíveis: São bônus que são convertíveis em ações da empresa emissora em um determinado momento. Os bônus conversíveis geralmente têm uma longa duração e uma taxa de juros fixa.
  • Bônus lixo: São bônus emitidos por empresas ou governos com uma classificação, ou qualidade de crédito baixa e um alto risco de inadimplência.
  • Bônus indexados à inflação: São um tipo de bônus, emitidos pelo governo de um país, cujo valor e taxa de juros estão vinculados à taxa de inflação. Esses instrumentos são emitidos visando proteger o poder de compra do dinheiro investido e garantir que o rendimento real do investimento não seja corroído pelo aumento dos preços.
  • Bônus perpétuos: São um tipo de bônus que não têm data de vencimento fixa e, portanto, não têm uma data de reembolso do principal estabelecida.
  • Bônus cupom zero: São bônus que não pagam juros periódicos, mas são emitidos a um preço com desconto e pagam o principal e o juros acumulados no vencimento.
  • Bônus com opção de venda: Permite ao investidor revender o bônus ao emissor antes do vencimento. Isso é um plus para aqueles agentes que têm a preocupação com uma eventual queda no preço do bônus, por exemplo, por um aumento na taxa de juros. Nesse sentido, os bônus com opção de venda incluem uma opção put e, em troca, a taxa que pagam tende a ser mais baixa. Este tipo de bônus costuma ser negociado a um valor relativamente mais alto do que outros com as mesmas características, dadas as vantagens que apresenta para o investidor.
  • Bônus resgatáveis ou resgatáveis: É aquele que dá a opção ao emissor de amortizar o bônus antes da data de vencimento. Isso favorece o emissor, que visa evitar o pagamento de juros quando as condições do mercado mudam. Por exemplo, no caso de um bônus corporativo, se as taxas de juros caírem, pode ser conveniente para a empresa amortizar o bônus. Em seguida, para se financiar, poderia solicitar um empréstimo bancário ou emitir outro bônus com uma taxa de juros menor. Dessa forma, a empresa pagará menos juros pelo crédito recebido.
  • Bônus garantido: É aquele respaldado por ativos do próprio emissor ou por um terceiro.
  • Bônus de carbono: Esses bônus são negociados como commodities ou ações. Para explicar de forma simples, se um Estado, por exemplo, adquire carbono, isso significa que está comprando o direito de queimá-lo, e uma nação que vende carbono renuncia ao seu direito de queimá-lo. O carbono é atribuído um valor econômico para poder ser negociado por empresas, pessoas ou governos.

Vantagens e desvantagens dos bônus

Podemos destacar as seguintes vantagens dos bônus:

  • Você pode investir neles diretamente ou através de ETF ou fundos de investimento que, por sua vez, investem em bônus.
  • São atraentes principalmente para aqueles investidores avessos ao risco, que buscam ativos menos voláteis que a renda variável.
  • Existe uma grande variedade de bônus, de menor e maior risco, emitidos por empresas e governos, e alguns até mesmo são indexados à inflação.
  • São investimentos recomendados para objetivos de curto ou médio prazo.
  • O investidor não precisa manter os bônus até o vencimento, mas pode vendê-los no mercado secundário.

No entanto, devemos notar as seguintes desvantagens:

  • Oferecem menos rentabilidade do que outras opções de investimento, como ações.
  • Sempre existe o risco de inadimplência por parte do emissor, em particular, se for uma empresa ou um governo com baixa classificação de crédito.
  • Seu preço está exposto às flutuações na taxa de juros do mercado, variável que não é controlada pelo investidor.
  • Um aumento da inflação também implica um risco porque, se os preços na economia aumentarem muito, os cupons pagos pelo bônus representarão um menor poder de compra.

Rendimento até o vencimento do bônus

O Rendimento até o vencimento (YTM) é o retorno total esperado do bônus se este for mantido até o vencimento. É expresso em termos anuais. Outra maneira de entendê-lo é como a taxa interna de retorno de um bônus se este cumprir com os pagamentos acordados.

Exemplo de bônus

Um exemplo de bônus poderia ser o seguinte: A empresa HY precisa de um financiamento de 30.000 reais. Então, emite 30 bônus a 5 anos com um valor nominal de 1.000 reais cada um.

Pode-se estabelecer uma taxa de juros de 6% ao ano, definindo também pagamentos semestrais. Então, o bônus fará dois pagamentos ao ano, de 60 reais (1.000*6%) cada semestre.

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